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Pode congelar uma carne que foi descongelada? A regra que evita riscos à saúde

Recongelar carne crua pode ser seguro em determinadas condições, mas o método de descongelamento e o controle da temperatura são decisivos; Veja quando o alimento pode voltar ao freezer e quais erros aumentam o risco de contaminação

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O recongelamento não representa necessariamente um risco à segurança alimentar quando as condições de conservação são respeitadas. • Wenderson Araujo/CNA

Descongelou carne para preparar o almoço, mas mudou de planos? Antes de colocá-la novamente no freezer, é importante observar como o alimento foi descongelado e por quanto tempo ficou fora do congelador. Embora seja possível recongelar carne em algumas situações, fazer isso de maneira inadequada pode favorecer a multiplicação de bactérias e aumentar o risco de doenças transmitidas por alimentos.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), carnes bovinas, suínas, ovinas e de aves descongeladas dentro da geladeira podem voltar ao congelador, desde que tenham permanecido sob refrigeração adequada, a uma temperatura de 4°C ou menos.

A orientação destaca que o recongelamento não representa necessariamente um risco à segurança alimentar quando as condições de conservação são respeitadas. No entanto, o processo pode prejudicar a qualidade da carne, alterando sua textura e reduzindo a umidade.

Quando é seguro recongelar carne crua?

O principal fator para decidir se a carne pode voltar ao freezer é a maneira como ocorreu o descongelamento.

Quando o alimento é descongelado lentamente dentro da geladeira e permanece a uma temperatura de até 4°C, o recongelamento pode ser realizado com segurança, de acordo com as recomendações do USDA.

Mesmo nessas condições, é importante observar o tempo de conservação. Cortes inteiros de carne bovina, suína, ovina e de vitela podem permanecer refrigerados por três a cinco dias após o descongelamento, antes do preparo.

Já a carne moída, os ensopados com carne e algumas preparações mais perecíveis devem ser consumidos em um prazo de um a dois dias.

Esses períodos começam a contar a partir do descongelamento e não são reiniciados quando o alimento volta ao freezer. Por isso, recongelar a carne não significa que ela poderá ser armazenada por mais tempo na geladeira depois de descongelada novamente.

Descongelou no micro-ondas ou na água fria? Veja o que fazer

A situação muda quando a carne é descongelada por métodos mais rápidos, como o micro-ondas ou a água fria.

Nesses casos, a recomendação do USDA é cozinhar o alimento imediatamente antes de congelá-lo novamente. Isso porque algumas partes da carne podem atingir temperaturas que favorecem a multiplicação de bactérias durante o processo.

Se a opção for a água fria, a carne deve estar dentro de uma embalagem bem fechada, e a água precisa ser trocada a cada 30 minutos. Depois do descongelamento, o alimento deve ser preparado sem demora.

No micro-ondas, algumas regiões da carne podem começar a cozinhar enquanto outras ainda estão congeladas. Por esse motivo, o preparo deve ocorrer imediatamente após o descongelamento.

Depois de cozinhar, a carne pode ser resfriada adequadamente e armazenada no freezer, desde que sejam respeitadas as orientações de conservação.

A reportagem também destaca que a Agência de Normas Alimentares do Reino Unido adota uma recomendação mais restritiva para carnes cruas descongeladas em casa: a orientação é consumi-las em até 24 horas e evitar recongelá-las cruas.

Por que descongelar carne em cima da pia é perigoso?

Um dos erros mais comuns na cozinha é deixar a carne sobre a pia ou a bancada para acelerar o descongelamento.

Segundo o USDA, a chamada zona de perigo para a conservação dos alimentos fica entre 4°C e 60°C. Nesse intervalo, as bactérias podem se multiplicar com maior facilidade, especialmente quando a carne permanece exposta por muito tempo.

O problema é que a parte externa do alimento pode aquecer rapidamente, mesmo quando o centro ainda está congelado.

A orientação é descartar alimentos perecíveis que tenham permanecido acima de 4°C por mais de duas horas. Esse limite exige atenção especial em dias quentes ou em ambientes sem controle de temperatura.

Também não é recomendado descongelar carne em água quente, pois o método pode aquecer a superfície do alimento e criar condições favoráveis ao desenvolvimento de microrganismos.

Outro cuidado importante é não confiar apenas na aparência ou no cheiro. Uma carne contaminada nem sempre apresenta alterações perceptíveis, e a ausência de odor desagradável não garante que o alimento esteja seguro para consumo.

Recongelar carne várias vezes prejudica a qualidade

Mesmo quando o procedimento é seguro do ponto de vista sanitário, repetir os ciclos de congelamento e descongelamento pode prejudicar a qualidade da carne.

Durante o descongelamento, parte da água presente no alimento é liberada. Quando a carne volta ao freezer, a formação de cristais de gelo pode afetar a estrutura das fibras e modificar a textura.

O resultado pode ser uma carne mais seca, menos suculenta e com alterações na consistência após o preparo.

O especialista em carnes William Eck III explica que cada ciclo adicional de congelamento e descongelamento pode provocar danos às células do produto, contribuindo para a perda de qualidade.

Por isso, mesmo quando o recongelamento é permitido, o ideal é evitar repetições desnecessárias.

Como evitar o desperdício e conservar a carne corretamente

Uma maneira simples de reduzir o desperdício é dividir a carne em pequenas porções antes de congelá-la. Assim, é possível retirar apenas a quantidade necessária para cada refeição, sem precisar descongelar todo o pacote.

Também é importante utilizar embalagens adequadas e bem fechadas, que ajudem a proteger o alimento do contato com o ar e de possíveis vazamentos.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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