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Astrônomos descobrem a primeira estrela verde da história e revelam o mistério

Cientistas descobriram a primeira estrela verde ao analisar anãs brancas. Saiba como elementos químicos revelam a história de planetas extintos. Confira.

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Imagem ilustrativa • ANSA/EPA

Durante décadas, os astrônomos acreditavam que as estrelas podiam exibir apenas algumas poucas tonalidades: laranja, branco ou azul. Mas uma análise recente de 151 anãs brancas próximas da Terra revelou algo surpreendente — uma estrela que brilharia em verde aos olhos humanos.

Essa descoberta não apenas expande o espectro visual do cosmos, mas oferece uma ferramenta poderosa para investigar a composição química de sistemas planetários extintos. As anãs brancas, remanescentes densos de estrelas mortas semelhantes ao Sol, funcionam como verdadeiras cenas de crime cósmicas, nas quais os cientistas conseguem reconstruir a história de planetas que foram despedaçados há bilhões de anos.

Por que anãs brancas podem ter cores diferentes das estrelas normais

As estrelas comuns limitam-se a tons de laranja, branco ou azul, dependendo exclusivamente de sua temperatura superficial. As anãs brancas, porém, seguem regras distintas.

Segundo Mark Hollands, astrofísico da Universidade de Warwick, na Inglaterra, e autor principal do estudo, existem casos especiais em que a física nas camadas externas dessas estrelas causa desvios significativos em seu espectro de luz.

Essas variações acontecem pela interação entre o hélio em sua atmosfera e traços de outros elementos químicos. Cada anã branca apresenta uma composição diferente, dependendo do material que interagiu com a estrela ao longo de sua existência.

Como estrelas mortas revelam a composição de planetas antigos

Elementos como ferro, magnésio e sódio — comumente encontrados em rochas — aparecem na superfície de anãs brancas. Essa presença química funciona como evidência de antigos sistemas planetários.

Hollands explica o processo: quando um asteroide se aventura muito próximo da anã branca, ele se despedaça em pó. Esses fragmentos rochosos caem sobre a estrela e se misturam às camadas externas.

"A anã branca está despedaçando os planetas, e conseguimos ver o que realmente havia dentro deles", afirma Adam Burgasser, professor de astronomia e astrofísica da Universidade da Califórnia em San Diego. Essa análise revela a proporção dos diferentes elementos e fornece pistas sobre como esses planetas se formaram.

Burgasser compara o cenário a uma cena de crime: "Estamos meio que juntando as peças das evidências que nos restam, e isso está nos permitindo reconstruir a história do que era o planeta e como ele se formou, há muito, muito, muito tempo atrás na história."

A estrela verde e outros casos de cores inéditas no espaço

O estudo analisou as 151 estrelas anãs brancas conhecidas que estão a menos de 65 anos-luz da Terra. Entre elas, uma se destacou pela coloração verde inédita.

Os principais elementos químicos presentes nessa estrela são cálcio, sódio e lítio. Essa combinação específica produz o tom esverdeado que seria visível ao olho humano.

Outra estrela notável apresentava coloração quase rosa-salmão, resultado de uma alta densidade de moléculas de carbono em sua atmosfera. Segundo Agnès Kim, astrofísica da Penn State Scranton, "algumas cores pareceriam verdes para nós se estivessem perto o suficiente para serem vistas, e ainda mais interessante que algumas pareceriam rosas".

Como os cientistas calculam as cores sem ver as estrelas diretamente

Embora não seja possível observar anãs brancas diretamente da Terra, Hollands conseguiu calcular suas cores usando dados do espectro estelar.

Os pesquisadores descrevem o espectro como uma "impressão digital" produzida quando a luz das estrelas é decomposta por comprimento de onda. O processo funciona de forma semelhante a um prisma que divide a luz solar em um arco-íris.

Essa técnica espectroscópica permite identificar não apenas as cores que veríamos, mas também a composição química exata de cada estrela analisada.

O que torna esta descoberta relevante para a ciência

Burgasser ressalta que o esquema de categorização do estudo, baseado em temperaturas e propriedades atmosféricas, pode ser útil para o futuro da área.

"Algumas coisas são meio rosa-arroxeado, e outras são esverdeadas e azuis", explica. Essa classificação permite que os cientistas se concentrem em entender por que certos objetos apresentam determinadas cores e se estão relacionados entre si com base em sua composição.

Hollands destaca o elemento humano dessa pesquisa: "Isso proporciona uma conexão humana interessante com essas coisas tão distantes que, às vezes, mesmo como pesquisador, você se sente bastante desconectado dos objetos que estuda."

Agnès Kim, que não participou do estudo, considera fascinante a interseção entre física e biologia: "Fazer um estudo que vai do espectro ao que o olho humano veria é uma interseção fascinante entre física e biologia para mim."

Próximos passos da pesquisa sobre anãs brancas coloridas

Hollands planeja continuar analisando mais espectros de estrelas anãs brancas. Os avanços nas técnicas científicas permitirão que os pesquisadores observem um novo grupo de estrelas ainda mais distantes da Terra.

Segundo ele, existem anãs brancas conhecidas para as quais ainda não há espectros disponíveis, mas isso está prestes a mudar com diversos levantamentos espectroscópicos em andamento.

"Teremos um aumento de dez vezes no número de anãs brancas com espectros", afirma Hollands. Essa expansão pode elevar o número de anãs brancas verdes de uma ou duas para dez ou vinte exemplares.

O estudo foi publicado na revista RAS Techniques and Instruments (RASTI), expandindo o conhecimento sobre a diversidade de cores que o universo pode produzir.

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