'Ouro moderno': Suécia encontra depósito de terras raras avaliado em 64 bilhões de euros
Depósito Per Geijer, localizado na região de Kiruna, no Norte da Suécia, abriga o maior estoque conhecido de elementos de terras raras do continente

O que começou como uma descoberta histórica em janeiro de 2023 consolidou-se como o pilar da esperança para a autonomia tecnológica da Europa. O depósito Per Geijer, localizado na região de Kiruna, no Norte da Suécia, abriga o maior estoque conhecido de elementos de terras raras do continente — um ativo avaliado em impressionantes 64 bilhões de euros.
Encontrado pela mineradora estatal sueca LKAB, empresa com mais de 130 anos de tradição, o depósito representa um ponto de inflexão na estratégia industrial europeia. Com cerca de 585 milhões de toneladas de minério, a jazida contém aproximadamente um milhão de toneladas de óxidos de terras raras, essenciais para a transição verde e a soberania digital.
Coração da tecnologia verde
Os elementos encontrados no subsolo de Kiruna não são apenas valiosos; eles são indispensáveis. Entre os componentes mais cobiçados estão o praseodímio e o neodímio, utilizados na fabricação de ímãs permanentes de alta potência. "Estamos enfrentando um problema de abastecimento. Sem minas, não pode haver veículos elétricos", afirmou o CEO da LKAB, resumindo a urgência do projeto.
Estes minerais são os componentes vitais para:
- Motores de veículos elétricos: garantindo eficiência e potência.
- Turbinas eólicas: fundamentais para a geração de energia limpa em larga escala.
- Indústria de Defesa: utilizados em sistemas de orientação e comunicações avançadas.
O valor de €63,6 bilhões é calculado com base na alta concentração de óxidos de neodímio e praseodímio, cujas cotações oscilam entre €57 mil e €70 mil por tonelada. A magnitude do depósito sueco impressiona: ele supera com folga o projeto americano Halleck Creek, no Wyoming, avaliado em US$ 37 bilhões.
Mais do que o valor financeiro, o depósito oferece à União Europeia uma rota de fuga da dependência quase exclusiva da China. A ministra sueca de Energia e Indústria, Ebba Busch, destacou que Kiruna pode ser a chave para uma Europa menos vulnerável a pressões geopolíticas externas.
O desafio do relógio e do meio ambiente
Apesar da euforia, o caminho entre a descoberta e a extração é longo. A LKAB estima que a operação comercial pode levar de 10 a 15 anos para começar. Os obstáculos são múltiplos:
- Complexidade burocrática: o rigoroso processo de licenciamento ambiental da Suécia exige estudos profundos sobre o impacto no ecossistema local e nos recursos hídricos.
- Questões sociais: a região de Kiruna é historicamente ligada ao povo Sami, e qualquer expansão mineradora deve equilibrar o desenvolvimento industrial com o respeito aos direitos ancestrais.
- Infraestrutura: embora a LKAB já tenha iniciado túneis de exploração a 700 metros de profundidade, a escala total do projeto Per Geijer exige um investimento colossal em logística.
A exploração em Kiruna não é uma novidade, mas uma evolução. Desde o século XVII a região fornece minérios ao mundo. A LKAB, que transformou a infraestrutura ferroviária entre a Suécia e a Noruega no século passado, agora busca liderar a "mineração do futuro": sustentável, lucrativa e, acima de tudo, estratégica para o século XXI.
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