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Empresa dos EUA compra mineradora brasileira de terras raras em MG

Valores da transação giraram em torno de R$ 13,9 bilhões, sendo R$ 1.495 bilhão pago em dinheiro e o restante em ações

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Mina pertencente à Serra Verde
Mina pertencente à Serra Verde • Reprodução / Serra Verde Terras Raras

A empresa estadunidense USA Rare Earth, especializada na mineração de terras raras, anunciou nesta segunda-feira (20), em comunicado, a aquisição da empresa brasileira Serra Verde, com sede em Minaçu-GO, por aproximadamente US$ 2,8 bilhões, equivalente a cerca de R$ 13,9 bilhões.

As terras raras são 17 elementos químicos essenciais para a indústria eletrônica, veículos elétricos, turbinas eólicas, robótica e inteligência artificial (IA).

A transação, financiada com US$ 300 milhões (R$ 1.495 bilhões) em dinheiro e o restante em ações, deve ser concluída no terceiro trimestre deste ano, sujeita às aprovações regulatórias.

Por volta das 11h20, do horário de Brasília, as ações da USA Rare Earth subiam 14,33% na Bolsa de Valores de Nova York. Apresentada como uma operação "estratégica", a aquisição visa criar uma líder global no setor.

A mineração de terras raras é amplamente dominada pela China, mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está determinado a garantir a soberania americana nessa área.

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A USA Rare Earth afirmou que a Serra Verde é a única operadora fora da Ásia a produzir em larga escala os quatro elementos magnéticos que compõem a família das terras raras, além de vários outros, como o ítrio. Isso ocorre na mina Pela Ema, no estado de Goiás.

A produção prevista da Serra Verde para 2027 é de cerca de 6.400 toneladas métricas de Óxidos Totais de Terras Raras (TREO, na sigla em inglês) por ano, com potencial de dobrar a capacidade antes de 2030.

Barbara Humpton, CEO da USA Rare Earth, declarou em comunicado à imprensa que este foi um "passo transformador" para a empresa americana.

Um funcionário de alto escalão da Embaixada dos EUA no Brasil havia indicado, em 18 de março, sob condição de anonimato, que Washington desejava ampliar as parcerias no Brasil para diversificar seu fornecimento de terras raras, em meio às tensões diplomáticas entre os dois países. Naquele mesmo dia, um acordo de princípio foi assinado em São Paulo com o estado de Goiás, rico em terras raras.

Segundo o diplomata americano, os Estados Unidos já haviam investido US$ 600 milhões em dois projetos em Goiás e um no estado do Piauí, no Nordeste.

*Com informações da AFP

(Sob supervisão de Alex Araújo)

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.