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Óculos com lentes amarelas ou vermelhas realmente protegem a visão?

Conteúdos nas redes sociais prometem que os óculos com lentes coloridas podem reduzir os efeitos da luz azul e melhorar o sono, mas médicos alertam que os benefícios ainda têm evidências limitadas

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Os óculos com lentes amarelas ou vermelhas ganharam espaço nos últimos anos e passaram a fazer parte da rotina de muitas pessoas que passam horas diante de telas de computadores, celulares e tablets. A promessa é diminuir o impacto da luz azul, aliviar o cansaço visual e até melhorar a qualidade do sono.

Apesar da popularidade, especialistas afirmam que a ciência ainda não confirma a maior parte desses benefícios. Uma reportagem publicada pelo site de notícias argentino Infobae explica que, embora existam algumas situações específicas em que esses filtros podem ser úteis, eles não devem ser vistos como uma solução universal para proteger os olhos.

A luz azul faz parte do espectro natural da luz emitida pelo Sol e também está presente em dispositivos eletrônicos e lâmpadas de LED. Durante o dia, ela ajuda a manter o organismo desperto e contribui para o funcionamento do relógio biológico. O problema surge quando a exposição acontece durante a noite, especialmente antes de dormir.

Nesse contexto, explicam especialistas citados na reportagem, os óculos com lentes avermelhadas costumam bloquear uma quantidade maior de luz azul do que os modelos amarelos. Algumas pesquisas indicam que essa característica pode favorecer a produção de melatonina, hormônio responsável por regular o sono, ajudando algumas pessoas a adormecerem com mais facilidade.

Já as lentes amarelas costumam aumentar o contraste e reduzir parte do brilho percebido, o que pode proporcionar uma sensação de maior conforto visual em ambientes específicos ou durante determinadas atividades. No entanto, isso não significa que elas ofereçam proteção comprovada contra danos oculares causados pelo uso de telas.

Segundo as fontes ouvidas pelo site, ainda não existem evidências científicas robustas de que o uso desses óculos previna doenças nos olhos ou reduza o risco de lesões na retina provocadas pela luz emitida por celulares e computadores.

Os médicos também ressaltam que o desconforto sentido após longos períodos em frente às telas geralmente está mais relacionado à diminuição da frequência das piscadas, ao ressecamento dos olhos e ao esforço visual contínuo do que propriamente à luz azul.

Por isso, hábitos simples continuam sendo considerados as medidas mais eficazes para preservar a saúde ocular. Entre eles estão fazer pausas frequentes durante o uso de dispositivos eletrônicos, manter os olhos lubrificados, ajustar corretamente o brilho das telas, evitar o uso intenso de aparelhos eletrônicos pouco antes de dormir e realizar consultas periódicas com um oftalmologista.

Outro ponto destacado pelos especialistas é que, para proteção contra a radiação solar, os óculos escuros certificados com filtro contra raios ultravioleta continuam sendo a principal recomendação. A cor das lentes, por si só, não determina o nível de proteção oferecido.

Dessa forma, embora os óculos com filtros amarelos e vermelhos possam proporcionar conforto em algumas situações e até beneficiar pessoas com dificuldades para dormir quando usados à noite, eles não substituem os cuidados básicos com a visão nem representam uma proteção comprovada contra todos os efeitos da exposição às telas, alertam os oftalmologistas.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.