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O sol é o mesmo, mas o calor não: pesquisa aponta mudança preocupante

Parcela da população mundial exposta a pelo menos um dia anual de estresse térmico extremo aumentou de 16% para 22% nos últimos 50 anos

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Homem correndo durante o pôr do sol • Freepik

As mudanças climáticas estão tornando os episódios de calor extremo mais frequentes, duradouros e abrangentes em todo o planeta. Um estudo publicado nesta segunda-feira (22) na revista Nature Climate Change aponta que cerca de 1 bilhão de pessoas a mais passaram a enfrentar pelo menos um dia de estresse térmico extremo por ano em comparação com a década de 1970.

A pesquisa foi conduzida por Rebecca Emerton e colegas do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF). Segundo o levantamento, a parcela da população mundial exposta a pelo menos um dia anual de estresse térmico extremo aumentou de 16% para 22% nas últimas cinco décadas.

O estresse térmico é definido como a carga de calor que afeta o organismo humano. Além da temperatura do ar, fatores como umidade, vento, radiação solar e a capacidade de adaptação do corpo influenciam a sensação de calor. Para medir esses impactos, os pesquisadores utilizam o Índice Climático Térmico Universal (UTCI), que classifica diferentes níveis de estresse térmico, desde o frio intenso até o calor extremo.

O estudo também mostra que a exposição prolongada ao calor se tornou mais comum. Na década de 1970, cerca de 55% da população mundial enfrentava pelo menos 90 dias por ano de estresse térmico considerado forte. Atualmente, esse percentual chega a 70%, o equivalente a aproximadamente 5,8 bilhões de pessoas.

Os pesquisadores identificaram ainda um aumento expressivo no número de dias com calor intenso. Em algumas regiões do planeta, a população passou a enfrentar até 50 dias adicionais por ano sob condições de estresse térmico, além de temporadas mais longas de calor.

Outro dado preocupante é o aquecimento acelerado das noites. Segundo o levantamento, as noites mais quentes do ano estão aquecendo, em média, 0,32°C por década, ritmo superior ao observado nos dias mais quentes, que registram aumento de 0,27°C por década.

Os eventos combinados de calor intenso durante o dia e temperaturas elevadas durante a noite também estão se tornando mais frequentes, severos e duradouros em todos os continentes, especialmente na Europa e na África.

De acordo com os autores, a falta de alívio térmico durante a noite representa um risco adicional à saúde, já que a exposição prolongada ao calor está associada ao aumento da mortalidade e de problemas cardiovasculares e respiratórios. O estudo ressalta que o calor é atualmente a principal causa de mortes relacionadas a eventos climáticos em escala global.

Na América do Sul, os efeitos também são evidentes. Os pesquisadores estimam que, em grande parte do continente, incluindo o Brasil, a sensação térmica máxima nos dias mais quentes aumentou entre 2°C e 4°C desde os anos 1970. Já durante as noites mais quentes, a temperatura percebida subiu de 1°C a 3°C.

O levantamento aponta ainda que os episódios de estresse térmico extremo ocorrem hoje 2,5 vezes mais frequentemente na América do Sul. Em regiões subtropicais, como o Sul e parte do Sudeste brasileiro, são registrados até 50 dias adicionais por ano com estresse térmico classificado como forte ou superior.

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