O que funciona melhor para aliviar a dor da osteoartrite de joelho, segundo estudo
Análise de 139 ensaios clínicos com quase 10 mil participantes avaliou opções sem medicamentos para controlar a dor causada pela doença

Subir escadas, caminhar e até carregar peso podem se tornar tarefas dolorosas para pessoas com osteoartrite de joelho. A busca por alternativas aos medicamentos para controlar os sintomas levou pesquisadores a analisar uma série de tratamentos não farmacológicos disponíveis para a doença.
O estudo avaliou 139 ensaios clínicos, com 9.644 participantes, e comparou 12 diferentes abordagens. Entre elas, joelheiras, hidroterapia e exercícios físicos apresentaram resultados relevantes para o controle da dor e a melhora da função do joelho.
O que é osteoartrite de joelho?
A osteoartrite de joelho, também conhecida como artrose, é uma doença que afeta a articulação e está associada à deterioração progressiva da cartilagem.
A condição pode provocar dor, rigidez, inchaço e dificuldade para realizar atividades do dia a dia. Os sintomas costumam piorar durante ou depois de atividades que exigem esforço da articulação.
O desconforto também pode aparecer após longos períodos sentado ou em repouso. A intensidade dos sintomas varia de uma pessoa para outra.
Por que estudar alternativas aos medicamentos?
Medicamentos anti-inflamatórios são utilizados no tratamento dos sintomas da osteoartrite, mas podem apresentar efeitos adversos e riscos, especialmente quando usados de forma inadequada ou por períodos prolongados.
Por isso, pesquisadores têm estudado alternativas não medicamentosas que possam ajudar a controlar a dor e preservar a capacidade de movimentação.
Como foi feito o estudo?
A pesquisa foi conduzida pelo Dr. Yuan Luo, do Primeiro Hospital Popular de Neijiang, na China, e publicada na revista científica PLOS One.
Os pesquisadores analisaram 139 ensaios clínicos envolvendo 9.644 pessoas com osteoartrite de joelho. Ao todo, foram avaliadas 12 estratégias diferentes.
Entre os tratamentos analisados estavam:
- terapia a laser;
- estimulação elétrica;
- joelheiras;
- palmilhas;
- bandagens de cinesiologia;
- hidroterapia;
- exercícios físicos;
- ultrassom;
- terapia por ondas de choque.
Os pesquisadores utilizaram uma metanálise em rede, método estatístico que permite comparar diferentes tratamentos dentro de uma mesma análise.
Joelheiras apresentaram bons resultados
Entre as estratégias avaliadas, as joelheiras apresentaram resultados favoráveis em diferentes indicadores, incluindo dor, rigidez e função física.
Segundo a análise, o uso desses dispositivos esteve associado à melhora dos sintomas e da capacidade funcional dos participantes.
A indicação, entretanto, pode variar de acordo com o tipo de joelheira e as características de cada paciente.
Hidroterapia ajuda no controle da dor
A hidroterapia, que envolve exercícios realizados na água, também apresentou resultados positivos, principalmente na redução da dor.
A água pode diminuir a carga exercida sobre as articulações durante os movimentos. Em uma piscina aquecida, a temperatura e a flutuação também podem facilitar a realização dos exercícios.
Isso pode ser especialmente útil para pessoas que sentem dor ou dificuldade para se movimentar durante atividades realizadas fora da água.
Exercícios também apresentaram benefícios
A prática regular de exercícios físicos esteve associada à redução da dor e à melhora da função física dos participantes.
A atividade física pode contribuir para o fortalecimento da musculatura que dá suporte ao joelho e para a manutenção da mobilidade da articulação.
O tipo, a intensidade e a frequência dos exercícios, porém, precisam levar em consideração as condições de cada pessoa.
Nem todos os tratamentos tiveram o mesmo desempenho
As terapias avaliadas apresentaram resultados diferentes entre si. Algumas abordagens tecnológicas, como laser de alta intensidade e terapia por ondas de choque, apresentaram benefícios em determinados indicadores, mas não se destacaram da mesma maneira em todos os resultados analisados.
O ultrassom apareceu entre as estratégias com resultados menos favoráveis nas comparações realizadas pelos pesquisadores.
Isso não significa, isoladamente, que um determinado tratamento seja ineficaz para todas as pessoas. Os resultados precisam ser interpretados considerando as características dos estudos analisados.
Estudo tem limitações
Os pesquisadores ressaltam que os resultados devem ser interpretados com cautela. Os ensaios clínicos incluídos na análise apresentaram diferenças no desenho dos estudos, no número de participantes e na duração dos tratamentos.
Essas diferenças podem influenciar as comparações entre as terapias.
Os autores também defendem a realização de novos estudos para avaliar estratégias que combinem diferentes abordagens de tratamento e os custos envolvidos.
“A pesquisa futura deveria priorizar a avaliação da eficácia clínica de abordagens terapêuticas combinadas para a osteoartrite de joelho, assim como sua rentabilidade e os gastos sanitários associados”, afirmam os autores.
Tratamento deve ser individualizado
Embora o estudo aponte resultados favoráveis para algumas alternativas não medicamentosas, não existe uma única abordagem adequada para todas as pessoas com osteoartrite de joelho.
A escolha do tratamento depende de fatores como intensidade da dor, mobilidade, condição da articulação e outras características individuais.
Por isso, a avaliação de um médico ou fisioterapeuta é importante para definir quais exercícios, dispositivos ou outras estratégias podem ser utilizados com segurança em cada caso.
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