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O que é a doença de Alzheimer: sintomas, diagnóstico e tratamentos atuais

Conheça a doença de Alzheimer, seus sintomas iniciais, fatores de risco e as opções de tratamento disponíveis; saiba como reconhecer os primeiros sinais

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Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta memória • Freepik/ Banco de imagens

Alterações na memória costumam ser o primeiro alerta percebido pelos familiares. O esquecimento de eventos recentes, a dificuldade em encontrar palavras corriqueiras ou a desorientação em lugares conhecidos podem indicar o início da doença de Alzheimer, a forma mais prevalente de demência no Brasil e no mundo.

Segundo estimativas da Alzheimer Europe, cerca de 200 mil pessoas convivem com demência em Portugal, sendo que entre 60% e 80% desses casos correspondem à doença de Alzheimer. A neurologista Carolina Pires explica que se trata de uma doença neurodegenerativa caracterizada pela deposição anormal de proteínas no cérebro, levando à morte progressiva das células neuronais e à deterioração das funções cognitivas.

Como a doença de Alzheimer se manifesta no cérebro

A doença provoca uma deposição anormal de proteínas no cérebro. Esse acúmulo leva à morte das células neuronais, processo que tem como consequência direta a deterioração das funções cognitivas.

A forma esporádica é a mais comum e não está relacionada ao histórico familiar. Um número reduzido de pacientes apresenta o tipo familiar, associado a uma mutação genética herdada de um dos pais.

Por que a doença de Alzheimer acontece

Não existem causas conhecidas para a doença de Alzheimer esporádica. A investigação científica ainda não oferece respostas definitivas que expliquem o aparecimento da condição.

A idade acima dos 65 anos está associada ao maior número de casos esporádicos. Nos raros casos de doença familiar, a origem está na existência de um progenitor que apresente mutação nos genes identificados como causadores.

Quem tem mais risco de desenvolver Alzheimer

O principal fator de risco é a idade. Ter um familiar próximo com a doença aumenta a possibilidade de desenvolvê-la, principalmente quando existem casos de início mais precoce.

Outros fatores incluem mutações genéticas específicas e fatores de risco cardiovasculares. Entre estes últimos estão diabetes, hipertensão arterial, tabagismo, dislipidemia e obesidade.

Sinais que indicam a presença da doença

Os sintomas da doença de Alzheimer variam conforme a progressão, mas seguem padrões identificáveis que ajudam no diagnóstico precoce.

Alteração da memória

As famílias geralmente começam a notar dificuldade em recordar eventos ou informações recentes. A memória para acontecimentos ou fatos mais distantes permanece tipicamente conservada nas fases iniciais.

Perturbações da linguagem

Os pacientes apresentam dificuldade em encontrar palavras em alguns contextos. Ocorre redução do vocabulário e, em fases mais avançadas, um empobrecimento considerável do conteúdo do discurso.

Dificuldade em tarefas complexas e desorientação

Pagar contas e lidar com dinheiro tornam-se tarefas desafiadoras. A desorientação em locais conhecidos também é um sintoma característico.

Em estágios mais avançados, a dificuldade em executar tarefas motoras impede os pacientes de realizar ações simples, como vestir-se, alimentar-se ou pentear-se.

Alterações de personalidade e comportamento

Em uma fase inicial, os familiares podem notar apatia e falta de iniciativa. Em fases mais avançadas, os pacientes podem apresentar agitação psicomotora e, por vezes, tornar-se mais agressivos.

A apatia pode se agravar de forma considerável, tornando os pacientes muito passivos. Com a evolução da doença, também é comum o não reconhecimento dos próprios sintomas ou das limitações.

Sintomas psicóticos e depressivos

A depressão é frequente mesmo em fases iniciais. A psicose pode se manifestar com ideias delirantes, nomeadamente pensamentos recorrentes sobre objetos que desapareceram e que o paciente acredita terem sido roubados.

Como a doença progride ao longo do tempo

A doença de Alzheimer progride inexoravelmente, embora o número de sintomas e a velocidade dessa progressão variem de pessoa para pessoa.

Em alguns casos, a doença grave ocorre nos cinco anos após o diagnóstico. Em outros, o processo pode demorar mais de dez anos. O tempo médio de sobrevida após o diagnóstico é muito variável e não é previsível individualmente.

A maioria das pessoas não morre da doença em si, mas de doenças secundárias, como infecções respiratórias, infecções urinárias ou complicações decorrentes de quedas.

Como é feito o diagnóstico

Uma avaliação clínica permite o diagnóstico da doença. Essa avaliação é complementada pela observação clínica e por exames imagiológicos, laboratoriais e neurológicos.

Um diagnóstico atempado facilita a investigação de outras doenças raras potenciais, permitindo uma intervenção mais adequada.

Opções de tratamento e acompanhamento disponíveis

A doença de Alzheimer não tem cura, mas existem terapêuticas que permitem melhorar os sintomas e a qualidade de vida. As abordagens visam reduzir a velocidade de evolução da doença.

Medicamentos antidemenciais

Esses fármacos visam melhorar os sintomas cognitivos e neuropsiquiátricos, além da qualidade de vida. No entanto, são pouco eficazes na redução da progressão da doença.

Alguns exemplos incluem donepezilo, rivastigmina e memantina.

Terapêutica sintomática

Outros fármacos são utilizados para tratar sintomas psiquiátricos específicos. Entre os alvos estão a depressão, as alterações do sono e os sintomas psicóticos.

Tratamento dos fatores de risco cardiovasculares

Quando existem comorbilidades médicas, o tratamento é importante para melhorar o prognóstico de cada paciente. O controle desses fatores impacta positivamente o curso da doença.

Reabilitação cognitiva e exercício físico

A reabilitação cognitiva é uma abordagem sobretudo indicada em fases precoces a moderadas. Por meio de exercícios específicos, busca-se estimular a memória, a atenção e outras funções cognitivas.

O exercício físico busca otimizar o estado físico, com impacto na própria doença. Reduz o risco de quedas e pode ter um efeito positivo na velocidade de progressão.

Medidas de segurança essenciais para o paciente

É fundamental garantir a segurança das pessoas com Alzheimer. Muitos pacientes não reconhecem seus sintomas e limitações e tentam manter atividades do dia a dia que podem ser perigosas.

Desenvolver um plano para monitorizar a toma dos fármacos é essencial. As caixas de medicamentos antigas devem ser mantidas fora do alcance para evitar confusões, e a medicação deve ser supervisionada.

Conduzir e cozinhar podem se tornar atividades perigosas. Eliminar obstáculos, como fios elétricos soltos e tapetes escorregadios, ajuda a reduzir quedas e acidentes em casa.

Quando considerar terapêuticas modificadoras da doença

Sempre que indicado, os pacientes podem ser avaliados em consulta específica para acesso às terapêuticas modificadoras da doença de Alzheimer. Essa avaliação especializada determina a elegibilidade para tratamentos mais direcionados.

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