Metas para 2026: como transformar resoluções de Ano Novo em hábitos que duram o ano inteiro

Especialistas explicam por que promessas ficam pelo caminho e apontam como manter objetivos realistas

O início de um novo ano costuma trazer a sensação de recomeço. Na virada para 2026, é provável que muitas pessoas tenham feito uma pausa para formular desejos e acreditar que mudanças são possíveis. Isso é comum em todo o mundo, quando as pessoas alimentam a esperança de que, desta vez, os propósitos de Ano Novo não fiquem pelo caminho.

Na prática, no entanto, manter essas metas ao longo dos meses é um desafio comum. O ano já começou e, com ele, a constatação de que mudar exige mais do que boa intenção.

Em entrevista ao Infobae, o psiquiatra e psicanalista Diego López de Gomara, da Associação Psicanalítica Argentina, conta que esse desejo aparece com frequência em seu consultório.

Segundo ele, muitas pessoas chegam querendo ser outra versão de si mesmas, geralmente mais felizes. Para o especialista, trata-se de um sonho antigo de recuperar um ideal pessoal, muitas vezes acompanhado da expectativa de que a simples mudança no calendário faça todo o trabalho.

Metas altas demais são prejudiciais

Para a psicanalista Alejandra Gómez, presidente do capítulo Interfase, Neurociências e Psicoterapias da Associação de Psiquiatras Argentinos, o começo do ano funciona como um marco cultural que ativa desejos individuais e coletivos. Ela explica que, simbolicamente, o Ano Novo representa a chance de deixar o que foi ruim para trás e apostar que o futuro será melhor.

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O problema surge quando essas expectativas ignoram a realidade. Segundo Gómez, as pessoas costumam estabelecer metas muito difíceis de alcançar, apoiadas em ideais de perfeição que acabam gerando frustração. López de Gomara concorda e alerta que objetivos exagerados frequentemente levam à culpa, um sentimento que dificulta qualquer processo de mudança.

Como transformar desejos em metas possíveis

A experiência clínica mostra que a forma como as metas são pensadas faz toda a diferença. López de Gomara recomenda abandonar a lógica do tudo ou nada e investir em hábitos pequenos e constantes. Para ele, quando um objetivo não é vivido como sacrifício, as chances de durar são maiores. Encarar as mudanças como parte do cotidiano, e não como uma exigência rígida, ajuda a mantê-las ao longo do tempo.

Gómez reforça que metas simples e alcançáveis são suficientes para gerar satisfação e fortalecer a autoestima. Uma sequência de pequenos avanços cria estímulo para continuar. Ela também destaca a importância de refletir sobre os motivos que dificultam o cumprimento de um objetivo, em vez de se punir pelo fracasso, e lembra que o acompanhamento terapêutico pode ajudar nesse processo.

Objetivos claros e apoio fazem diferença

Para a psicóloga Charo Maroño, do Departamento de Crianças e Adolescentes da Associação Psicanalítica Argentina, é importante diferenciar propósito de objetivo. Enquanto o propósito é amplo, o objetivo precisa ser concreto e realizável. Em vez de promessas genéricas, como começar uma dieta, ela sugere ações específicas, como incluir verduras em uma refeição do dia.

Maroño defende metas curtas, possíveis e, sempre que possível, compartilhadas com outras pessoas. O apoio do grupo e a busca por ajuda profissional podem facilitar a continuidade. Outro ponto essencial, segundo ela, é praticar a autocompaixão. Se algo não sair como planejado, o mais importante é recomeçar, um dia de cada vez.

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

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