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Maior tesouro da história foi descoberto: reserva de US$ 18 trilhões está no Oceano Pacífico

Escondida a cerca de 4 mil metros de profundidade, a região reúne toneladas de minerais e pode mudar o futuro da indústria global

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Tesouro submarino concentra minerais avaliados em trilhões de dólares
Tesouro submarino concentra minerais avaliados em trilhões de dólares • Freepik

A milhares de metros abaixo da superfície do Oceano Pacífico está uma dos maiores tesouros da Terra. A chamada Zona Clarion-Clipperton reúne uma enorme concentração de nódulos polimetálicos, formações rochosas ricas em metais como níquel, cobalto, manganês e cobre, considerados fundamentais para a produção de baterias, veículos elétricos e equipamentos da transição energética.

Estimativas apontam que o valor desses recursos pode chegar a cerca de US$ 18 trilhões, tornando a região um dos maiores depósitos minerais do planeta e alvo de interesse crescente de governos e empresas de mineração.

O que existe na Zona Clarion-Clipperton?

Localizada entre o Havaí e o México, a Zona Clarion-Clipperton ocupa uma extensa área do Oceano Pacífico e abriga bilhões de toneladas de nódulos polimetálicos espalhados pelo leito marinho, a cerca de 4 mil metros de profundidade.

Esses nódulos se formaram ao longo de milhões de anos e concentram minerais considerados estratégicos para a economia global. Entre os principais elementos encontrados estão:

  • Níquel: utilizado principalmente na fabricação de baterias para veículos elétricos;
  • Cobalto: que aumenta a eficiência e a durabilidade das baterias;
  • Manganês: empregado na produção de ligas metálicas e na indústria siderúrgica;
  • Cobre: indispensável para sistemas elétricos e eletrônicos.

Pesquisadores afirmam que a quantidade desses minerais pode superar as reservas terrestres conhecidas de alguns países tradicionalmente mineradores, tornando a região uma possível alternativa para atender à demanda crescente da indústria.

Por que esses minerais são tão importantes?

O avanço da eletrificação e da geração de energia renovável fez disparar a procura por metais críticos.

Com a expansão da produção de carros elétricos, sistemas de armazenamento de energia e infraestrutura para redes elétricas, cresce também a necessidade de matérias-primas que nem sempre estão disponíveis em quantidade suficiente nas minas terrestres.

Nesse cenário, os depósitos submarinos surgem como uma possível fonte para suprir parte dessa demanda nas próximas décadas. Ao mesmo tempo, a viabilidade econômica da mineração em águas profundas ainda depende de avanços tecnológicos e da definição de regras internacionais para a atividade.

Os impactos ambientais preocupam cientistas

Apesar do potencial econômico, a mineração em águas profundas é alvo de fortes críticas por parte da comunidade científica.

Especialistas alertam que a retirada dos nódulos pode causar danos permanentes a ecossistemas ainda pouco conhecidos. Como esses ambientes evoluem muito lentamente, qualquer alteração pode levar centenas ou até milhares de anos para ser revertida.

Entre os principais riscos apontados estão:

  • Formação de grandes nuvens de sedimentos, capazes de afetar organismos marinhos em áreas extensas;
  • Destruição de habitats utilizados por espécies que vivem diretamente sobre os nódulos;
  • Poluição sonora e vibrações que podem interferir na orientação de peixes e mamíferos marinhos;
  • Perda de microrganismos essenciais para o equilíbrio dos ciclos biológicos do fundo do oceano.

Por esse motivo, diversos pesquisadores defendem que a exploração comercial só avance após a realização de estudos mais aprofundados sobre os impactos ambientais e a criação de mecanismos eficazes de proteção.

Uma nova disputa geopolítica pelos minerais estratégicos

Além da questão ambiental, a corrida pelos recursos da Zona Clarion-Clipperton também tem implicações geopolíticas.

Hoje, poucos países concentram o processamento e o fornecimento de minerais considerados estratégicos para a indústria tecnológica. A possibilidade de explorar reservas submarinas desperta o interesse de diferentes governos, que buscam reduzir sua dependência externa e fortalecer a segurança no abastecimento desses materiais.

Ao mesmo tempo, cresce a disputa pela definição das regras que determinarão quem poderá explorar esses recursos e como os benefícios econômicos serão distribuídos.

O futuro da mineração em águas profundas ainda está em aberto

Embora o interesse econômico seja enorme, a mineração em águas profundas ainda não foi liberada em larga escala.

As negociações internacionais seguem em andamento para definir normas que conciliem o aproveitamento dos recursos minerais com a preservação dos ecossistemas marinhos.

Enquanto empresas pressionam por regras que permitam iniciar a exploração comercial, cientistas e organizações ambientais defendem mais pesquisas antes de qualquer autorização definitiva.

O resultado desse debate pode definir não apenas o futuro da mineração submarina, mas também o equilíbrio entre desenvolvimento tecnológico, segurança energética e conservação dos oceanos nas próximas décadas.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou na Rádio UFMG Educativa e em empresas de marketing, com experiência em produção de conteúdo, SEO e redação Atualmente, escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.