Já ficou triste com o fim de uma série? Saiba por que isso acontece
O encerramento de uma série favorita pode causar uma sensação real de perda, mesmo quando os personagens são fictícios

Terminar uma série querida pode ser mais difícil do que parece. Mesmo sabendo que os personagens não existem de verdade, muitos espectadores sentem tristeza, vazio ou até uma espécie de despedida quando chegam aos últimos minutos de uma história que acompanhou suas vidas por meses ou anos.
Segundo a psicoterapeuta Saba Lurie, entrevistada pelo site argentino Infobae, uma série pode representar muito mais do que uma forma de entretenimento. Ela pode servir como uma pausa em períodos difíceis, apresentar situações com as quais o público se identifica e permitir que determinadas emoções sejam experimentadas.
“Quando assistimos a um programa de televisão de que realmente gostamos, ele é muito mais do que uma distração”, afirmou Lurie, em declaração ao Real Simple.
A série pode virar parte da rotina
Uma das explicações para a tristeza após o fim está na rotina criada ao longo do tempo. Assistir a um episódio toda semana, fazer uma maratona no fim de semana ou conversar com outras pessoas sobre o que aconteceu na trama pode se transformar em um hábito esperado.
Por isso, quando não existem mais episódios inéditos, não desaparece apenas uma história. Também é interrompido um momento recorrente do dia ou da semana.
A previsibilidade da televisão pode funcionar como uma espécie de refúgio emocional. Uma pessoa pode acompanhar uma comédia durante um período de solidão, por exemplo, ou encontrar em um drama familiar elementos que ajudam a compreender conflitos da própria vida.
O impacto também pode ser maior quando a série acompanhou uma fase importante da vida. Nesse caso, o encerramento da produção pode acabar associado a lembranças daquele período.
Por que os personagens parecem tão próximos?
Outro fator está na relação criada com os personagens. Ao longo de muitos episódios, o espectador passa a conhecer seus comportamentos, relações, dificuldades, perdas e decisões.
Mesmo sendo uma relação unilateral, a familiaridade pode ser intensa. O público sabe que pode reencontrar aqueles personagens sempre que colocar um episódio para assistir.
Na vida real, relações próximas dependem de disponibilidade, distância, trabalho, responsabilidades e outros fatores. Na ficção, os personagens estão acessíveis sempre que o espectador decide voltar à história.
“Podemos nos sentir próximos de um personagem sem correr riscos”, explicou Lurie.
A especialista destaca que a ficção permite acompanhar emoções e vulnerabilidades de maneira concentrada, sem exigir a reciprocidade e as negociações presentes nos relacionamentos reais.
O primeiro final pode ser o mais difícil
De acordo com Lurie, a primeira vez que uma pessoa assiste a uma série costuma concentrar a experiência mais intensa. Em uma reprise, ainda pode existir nostalgia, mas o espectador já conhece os acontecimentos e o desfecho.
O primeiro encerramento, portanto, tem um elemento que não pode ser repetido: a expectativa de descobrir o que acontecerá.
Depois que os créditos finais aparecem, aquela sensação de acompanhar a história pela primeira vez deixa de existir. É possível rever os episódios, mas não recuperar completamente a surpresa original.
Cada pessoa lida com o fim de uma forma
Não existe uma única maneira de reagir ao encerramento de uma série. Algumas pessoas preferem rever episódios antigos para manter a sensação de familiaridade. Outras procuram imediatamente uma nova produção com personagens ou temas semelhantes.
Também é comum compartilhar a experiência com amigos ou participar de comunidades na internet para discutir cenas, teorias e opiniões sobre o desfecho.
Para Lurie, conversar com pessoas que acompanharam a mesma produção pode ajudar a diminuir a sensação de isolamento provocada pelo fim.
“Conversar com outras pessoas que acompanharam a mesma série reduz a sensação de isolamento diante do final”, afirmou a terapeuta.
Redes sociais, fóruns e grupos de fãs também permitem que a conversa continue mesmo depois dos créditos. Dessa maneira, a história pode continuar fazendo parte da rotina por algum tempo, ainda que não existam novos capítulos.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



