Um
Os pesquisadores observaram que a infusão da planta pode ajudar a proteger dentes e ossos dos danos provocados pela doença. Em experimentos com animais e células humanas, o extrato de mate restaurou a capacidade antioxidante do organismo e reduziu marcadores de estresse oxidativo, responsáveis por desequilíbrios celulares.
Participaram do estudo equipes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de Michigan.
Por que o mate despertou interesse científico
A periodontite apical ocorre a partir de uma infecção na raiz do dente e pode comprometer o osso e a gengiva. Além da dor, a inflamação desencadeia processos químicos que afetam a saúde geral, incluindo o aumento do estresse oxidativo.
Como a erva-mate é reconhecida por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, os pesquisadores investigaram se a bebida poderia reduzir os danos causados por esse tipo de inflamação.
Embora a infusão já seja associada a outros benefícios, não havia estudos específicos sobre seu efeito na periodontite apical.
Como foi feito o experimento
Os cientistas usaram pó instantâneo de erva-mate diluído em água, em doses equivalentes ao consumo humano. O estudo envolveu quatro grupos de ratas: saudáveis, apenas com mate, com periodontite apical e com periodontite associada ao consumo de mate.
Nos testes com células humanas dentárias, a erva-mate ajudou a manter a atividade celular e reduziu moléculas inflamatórias. Nos animais, o extrato elevou os níveis antioxidantes no plasma e diminuiu marcadores típicos de estresse oxidativo, como a peroxidação lipídica.
Análises mostraram ainda menor infiltração inflamatória nos dentes e redução da ação de células que destroem o tecido ósseo. Proteínas relacionadas à inflamação e à perda óssea, como IL-10, RANKL, TRAP e OPG, apresentaram resultados mais favoráveis nos grupos que consumiram mate.
Os cientistas utilizaram microscopia, exames bioquímicos de sangue e tomografia 3D para observar alterações nos maxilares.
O biólogo Juan Ferrario, pesquisador do Conicet, órgão científico da Argentina, e coautor do livro A ciência do mate, explicou, ao Infobae, que o estudo reforça evidências já atribuídas à bebida, mas ainda é cedo para falar em tratamentos. Ele destaca que os testes foram realizados em animais, não em humanos.
O que ainda precisa ser esclarecido
Os autores alertam que, apesar dos resultados animadores, não é possível aplicar diretamente as conclusões em tratamentos odontológicos. Ainda não existem ensaios clínicos em humanos que relacionem a erva-mate à periodontite apical.
Também falta determinar qual dose e formato seriam mais eficazes caso futuros estudos confirmem seu potencial terapêutico.
A erva-mate se mostrou segura nos experimentos com ratas e apresentou efeitos positivos em células humanas, o que motiva a continuidade das pesquisas.
Segundo Ferrario, a evolução futura pode ocorrer em duas frentes: análises epidemiológicas com consumidores de mate ou o desenvolvimento de extratos concentrados a partir de seus compostos ativos.
Para o engenheiro químico e sommelier Martín Gómez, autor de “A erva-mate: Mitos, verdades e histórias”, a pesquisa reforça o crescente interesse internacional pela bebida. Ele destaca, também ao Infobae, que o consumo tem aumentado na América do Norte e na Europa, onde aparece em versões como pó, suplementos e energéticos. No Brasil e na Argentina, cresce também a procura por ervas orgânicas e blends especiais.