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Estão desviando um rio através das montanhas para construir a maior usina hidrelétrica do mundo e mudar o panorama energético

A China investe US$ 168 bilhões em um complexo com cinco usinas no Tibete. A obra prevê desviar parte de um rio por túneis nas montanhas

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A China iniciou a construção de um gigantesco complexo hidrelétrico no Tibete que poderá se tornar a maior instalação de geração de energia hidrelétrica do mundo. O projeto prevê desviar parte do curso do rio Yarlung Tsangpo por meio de túneis escavados nas montanhas para abastecer cinco usinas em sequência.

As obras começaram na região de Nyingchi, no sudoeste chinês, em um trecho conhecido como Grande Curva do Yarlung Tsangpo. Nesse ponto, o rio contorna o monte Namcha Barwa e atravessa um cânion profundo. Em aproximadamente 50 quilômetros, o terreno apresenta um desnível de quase 2 mil metros, característica que permite explorar a força da água para produzir eletricidade.

Para aproveitar essa diferença de altitude, o projeto prevê a construção de quatro túneis com cerca de 20 quilômetros de extensão cada. As estruturas vão atravessar as montanhas e conduzir a água até diferentes instalações hidrelétricas. Depois de passar pelas usinas, o fluxo retornará ao leito original do rio em um ponto mais baixo.

Investimento bilionário

O complexo será formado por cinco usinas hidrelétricas em cascata e terá investimento estimado em 1,2 trilhão de yuans, aproximadamente US$ 168 bilhões.

A previsão é que a estrutura produza 300 bilhões de quilowatts-hora por ano. O volume equivale a cerca de três vezes a geração projetada para a Usina de Três Gargantas, atualmente a maior hidrelétrica em operação no mundo.

A energia produzida deverá abastecer principalmente outras regiões da China, além de atender parte da demanda do próprio Tibete. O cronograma prevê o início das operações ao longo da década de 2030.

Obra gera preocupação ambiental e geopolítica

Apesar do potencial energético, a construção enfrenta desafios relacionados às características geográficas da região. O local apresenta elevada atividade sísmica, encostas íngremes e risco de deslizamentos de terra.

Também existem preocupações com os impactos ambientais sobre um ecossistema de grande biodiversidade. Além disso, o empreendimento desperta apreensão em países vizinhos, especialmente Índia e Bangladesh.

Isso porque o Yarlung Tsangpo atravessa a fronteira indiana, onde passa a ser chamado de rio Brahmaputra, e segue até Bangladesh. Milhões de pessoas dependem do curso d'água para o abastecimento, a agricultura e a geração de eletricidade.

Os dois países temem que possíveis alterações no fluxo do rio provoquem consequências sobre a disponibilidade de água e as atividades econômicas ao longo de seu percurso.

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