Pescadores faturam R$ 12 mil capturando peixe-leão invasor na Bahia
Espécie exótica ameaça biodiversidade marinha e oferece risco à saúde humana; entenda como identificar, os perigos do veneno e o que fazer em caso de acidente

Em Porto Seguro, no litoral sul da Bahia, uma espécie invasora está mudando a rotina de quem vive do mar. Desde julho de 2026, pescadores locais já capturaram mais de 1,2 mil exemplares do peixe-leão, animal exótico que ameaça o equilíbrio dos ecossistemas marinhos brasileiros. Originário dos oceanos Índico e Pacífico, o peixe-leão não possui predadores naturais no Atlântico e se reproduz em velocidade alarmante. Uma única fêmea pode gerar até 2 milhões de ovos por ano. Mas o perigo não está apenas na expansão descontrolada: seus espinhos carregam veneno capaz de provocar desde dor intensa até convulsões em humanos.
O que é o peixe-leão e por que preocupa especialistas
O peixe-leão (Pterois volitans) é uma espécie nativa dos oceanos Índico e Pacífico que se tornou invasora no Atlântico. O animal se alimenta de peixes e crustáceos nativos, provocando desequilíbrios graves nos ecossistemas marinhos. Sua capacidade reprodutiva é excepcional. Uma fêmea pode produzir até 2 milhões de ovos anualmente, o que favorece a expansão rápida da população em águas onde não há predadores naturais. O primeiro registro da espécie em Porto Seguro aconteceu em junho de 2026, no Parque Natural Municipal Marinho do Recife de Fora. A partir dessa confirmação, autoridades locais criaram o Plano Municipal de Enfrentamento ao Peixe-Leão.
Os riscos do veneno para a saúde humana
Além dos impactos ambientais, o peixe-leão representa perigo direto para banhistas e profissionais do mar. Seus espinhos contêm veneno que pode causar dor intensa, náuseas e febre. Em casos mais graves, o contato com os espinhos pode provocar convulsões. As autoridades ambientais alertam que a população não deve tocar no animal, mesmo quando parecer morto. A recomendação em caso de acidente é procurar atendimento médico imediatamente. O manuseio seguro da espécie exige treinamento específico e equipamentos adequados.
Como funciona o plano de captura em Porto Seguro
Desde julho de 2026, a prefeitura de Porto Seguro implementou uma estratégia de contenção da espécie invasora. O município paga R$ 10 por cada exemplar entregue à Colônia de Pescadores Z-22. Mais de 1,2 mil peixes-leão já foram retirados do mar na região. Somente em outubro, 275 exemplares foram capturados, gerando R$ 2.750 em pagamentos aos pescadores. O total distribuído desde o início da iniciativa chega a cerca de R$ 12 mil. A estratégia integra o Plano Municipal de Enfrentamento ao Peixe-Leão e envolve capacitações para orientar pescadores e profissionais do turismo.
Pesquisas científicas e aproveitamento do pescado
Parte dos peixes capturados é destinada à pesquisa científica. A Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) recebe amostras para estudar a alimentação, a reprodução e a distribuição da espécie no litoral brasileiro. Outras amostras foram encaminhadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). A instituição avalia possibilidades de aproveitamento do pescado na gastronomia regional. Essas parcerias buscam transformar a ameaça ambiental em oportunidade de conhecimento científico e desenvolvimento econômico sustentável. As capacitações oferecidas ensinam técnicas de identificação, captura e manuseio seguro do animal.
Identificação e cuidados essenciais
Reconhecer o peixe-leão é fundamental para evitar acidentes. A espécie possui características visuais marcantes que a diferenciam dos peixes nativos brasileiros. Profissionais capacitados aprendem a identificar o animal antes de qualquer tentativa de captura. O manuseio inadequado pode resultar em ferimentos graves e complicações de saúde. As orientações técnicas enfatizam que a prevenção é a melhor estratégia. Tocar em qualquer peixe desconhecido, especialmente espécies com espinhos evidentes, deve ser evitado em todas as circunstâncias.
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