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Cidade capixaba tem 370 galinhas por pessoa e lidera produção de ovos no Brasil 

Conheça a cidade que produz 11,6 milhões de ovos por dia, movimenta 50% da economia local e apostou na automação das granjas para manter a liderança 

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Criadouro de galinhas
Criadouro de galinhas (imagem ilustrativa) • Magnific / Reprodução

Santa Maria de Jetibá, no Espírito Santo, abriga 15,1 milhões de galinhas poedeiras — cerca de 370 aves para cada um dos 41 mil moradores. A proporção impressionante resulta de décadas de especialização em avicultura e fez do município o maior produtor de ovos do país. A cidade produz 352,5 milhões de dúzias de ovos por ano, o equivalente a aproximadamente 11,6 milhões de unidades diariamente. A atividade não apenas domina a paisagem rural, mas também estrutura toda a economia local: gera empregos diretos e indiretos para metade da população e desenvolveu uma cadeia produtiva completa — das fábricas de ração aos entrepostos de classificação. 

Por que a avicultura domina a economia local 

A produção de ovos responde por 40% a 50% da renda de Santa Maria de Jetibá. Segundo o secretário municipal de Agropecuária, Vanderlei Marquez, aproximadamente 20 mil dos 40 mil habitantes trabalham direta ou indiretamente no setor. A cadeia produtiva vai muito além das granjas. Entrepostos, transportadoras, fábricas de ração e de embalagens empregam trabalhadores em diferentes etapas. Profissionais especializados cuidam da saúde das aves e do manejo diário das instalações. O município também se destaca em outras culturas agrícolas. A produção de chuchu, morango e ovos de codorna complementa a atividade econômica da região. 

A escolha estratégica pelos ovos em vez da carne 

Os produtores de Santa Maria de Jetibá optaram por especializar-se na produção de ovos de galinha, não na criação de frangos para abate. A decisão baseou-se na rentabilidade superior da atividade. A especialização permitiu o desenvolvimento de toda uma infraestrutura voltada exclusivamente para a avicultura de postura. Cada etapa — da criação das aves até a distribuição dos ovos — foi aprimorada ao longo dos anos. Com milhões de galinhas produzindo diariamente, o município consolidou conhecimento técnico e logística específicos para esse mercado. 

Automação das granjas para superar a escassez de mão de obra 

Manter milhões de galinhas em produção exige estrutura robusta e investimento contínuo. Em Santa Maria de Jetibá, a dificuldade de encontrar trabalhadores levou os produtores a investir pesadamente em automação. Nas granjas modernas, esteiras transportam os ovos automaticamente dos ninhos até os entrepostos. Outros sistemas controlam a distribuição de ração e água para as aves, reduzindo a necessidade de intervenção humana. Segundo Vanderlei Marquez, construir uma granja moderna com capacidade para 100 mil aves custa entre **R$ 3 milhões e R$ 4 milhões**. Além do investimento inicial, os produtores precisam arcar com custos operacionais e adequar as instalações às exigências sanitárias. 

Crise de 2013 reduziu o plantel de aves no município 

Santa Maria de Jetibá já teve um plantel ainda maior de galinhas poedeiras. O município chegou a abrigar quase 22 milhões de aves antes da crise que atingiu o setor em 2013. Naquele período, os produtores enfrentavam custos elevados de produção e dificuldades para cumprir as exigências sanitárias. As autuações e os investimentos necessários para adequação das granjas pesaram especialmente sobre os pequenos avicultores. A combinação de fatores levou parte dos produtores a abandonar a atividade. O plantel caiu para algo entre 16 milhões e 17 milhões de aves. Atualmente, o município registra 15,1 milhões de galinhas poedeiras, segundo dados do IBGE. 

Como funciona a cadeia produtiva completa de ovos 

A produção em larga escala exige coordenação entre múltiplos elos da cadeia. As granjas automatizadas concentram a criação das aves e a coleta dos ovos por meio de esteiras mecânicas. Nos entrepostos, os ovos passam por classificação conforme tamanho, peso e qualidade. Trabalhadores especializados verificam cada lote antes da embalagem. As transportadoras distribuem o produto para diferentes regiões do país. Fábricas de ração produzem alimento balanceado para as aves, enquanto indústrias de embalagens fornecem caixas e bandejas. Profissionais veterinários e técnicos agrícolas garantem o manejo adequado e a saúde do plantel. Cada etapa gera empregos e movimenta a economia local. 

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