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Escorpião-amarelo sobrevive 48h na água e gera filhotes sem macho

Conheça a espécie peçonhenta que resiste debaixo d'água, se reproduz sem macho e representa ameaça real para cães e gatos no interior paulista

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Imagem meramente ilustrativa • Pixabay/Reprodução

O escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) consegue fazer algo que parece impossível: permanecer submerso na água por até 48 horas consecutivas. A espécie, abundante no interior de São Paulo, desenvolveu um mecanismo de dormência que desacelera o metabolismo e retém oxigênio nas estruturas corporais, permitindo a sobrevivência em ambientes insalubres como ralos e tubulações.

Essa capacidade de adaptação extrema, somada à reprodução sem necessidade de macho, transforma o animal em uma ameaça crescente para animais de estimação. Uma única fêmea pode gerar até 40 filhotes de uma só vez, criando populações inteiras sem fecundação. Este guia explica como o escorpião sobrevive em condições adversas e o que fazer se seu pet for picado.

Como o escorpião-amarelo consegue sobreviver debaixo d'água

O biólogo Hélio Pereira, de Sorocaba, explica que o aracnídeo entra em estado de dormência quando submerso. Nessa condição, o metabolismo desacelera drasticamente e o animal retém oxigênio em suas estruturas corporais.

Apesar da resistência subaquática, o escorpião não se desloca ativamente na água como um peixe. O animal tensiona as pernas, mantém o corpo na linha d'água e se move lentamente pela superfície até alcançar um ponto seco.

Moradores do interior paulista relatam encontros com escorpiões saindo de ralos de pia e banheiro. "Já visualizei eles saindo do ralo da pia e do ralo do banheiro. Para mim, é sabido que os escorpiões realmente conseguem passar por poças de água, pela tubulação do sifão da pia", conta Reinaldo Silveira, de Sorocaba.

Reprodução sem macho gera populações explosivas

O escorpião-amarelo é uma espécie partenogenética, ou seja, as fêmeas geram filhotes sem necessidade de fecundação. Esse tipo de reprodução assexuada permite crescimento populacional acelerado.

"A espécie tem uma grande capacidade invasiva porque uma única fêmea pode constituir uma população inteira de uma hora para outra. Ela vai ter, em média, por cria, de 10 a 40 filhotes", explica o biólogo Hélio Pereira.

Os machos da espécie são extremamente raros. Em uma população de aproximadamente 100 escorpiões, apenas um ou dois são machos. Os filhotes precisam apenas de alimento para sobreviver e se desenvolver.

O que atrai escorpiões para dentro de casa

A disponibilidade de alimento determina o crescimento populacional dos escorpiões. Quanto mais comida disponível, maior a chance de a população se expandir rapidamente.

O acúmulo de lixo favorece a presença de baratas, formigas e moscas, que servem de alimento para os escorpiões. "Se você quer controlar o escorpião, controle o lixo que está produzindo", orienta o biólogo.

Apesar do temor que causam, os escorpiões desempenham papel importante no equilíbrio ambiental. Eles ajudam no controle das populações de outros animais e também servem de alimento para espécies como o gambá.

O problema ocorre quando há crescimento descontrolado. "O escorpião quer andar na sombra, quer ficar escondido. O animal pica apenas quando se sente ameaçado. É um animal que reage, não que age. Ele não vai correr atrás de ninguém", explica Hélio Pereira.

Sintomas de picada de escorpião em cães e gatos

A médica veterinária Rafaela Souza Sala alerta que o escorpião-amarelo mede aproximadamente sete centímetros e é a espécie de maior relevância médica no país. O animal pode causar acidentes graves em pets.

Os sintomas incluem dor intensa no local da picada, inchaço e vermelhidão na região afetada. O animal pode apresentar salivação excessiva, vômitos e diarreia.

Quadros mais graves incluem tremores musculares, dificuldade para respirar e convulsões. Animais de pequeno porte e filhotes apresentam reações mais severas, pois recebem concentração maior de veneno em relação ao peso corporal.

O que fazer imediatamente quando o pet é picado

A recomendação é levar o animal imediatamente ao atendimento veterinário de urgência. "A orientação é uma só: levar o animal ao atendimento veterinário de urgência imediatamente, de preferência onde tenha internação, como uma clínica 24 horas ou hospital", explica Rafaela.

Não existe procedimento caseiro seguro ou eficaz para neutralizar o veneno de escorpião em cães e gatos. A rapidez no atendimento é fundamental para evitar complicações respiratórias e cardiovasculares.

Como não existe soro antiescorpiônico registrado para uso veterinário no Brasil, o tratamento é feito com controle da dor, estabilização do animal e monitoramento clínico rigoroso.

Procedimentos proibidos em caso de picada no pet

Nunca faça torniquete no local da picada. O procedimento pode agravar o quadro e não impede a disseminação do veneno pelo organismo.

Não corte, perfure ou tente sugar o veneno da região afetada. Essas práticas são ineficazes e causam danos adicionais ao animal.

Não aplique produtos caseiros como álcool, pasta de dente ou plantas no local da picada. Também é proibido administrar medicamentos humanos por conta própria, pois alguns são tóxicos para cães e gatos.

Primeiros socorros quando humanos são picados

A recomendação para pessoas picadas por escorpião é buscar imediatamente ajuda médica, devido à rápida ação do veneno. O alerta é especial para picadas do escorpião-amarelo e do escorpião-preto.

Os ataques causam fortes dores que podem se espalhar por todo o corpo. Entre os sintomas estão vômitos, tremores, alteração na pressão arterial e complicações cardíacas.

O tratamento é feito com soro antiescorpiônico. Adultos podem procurar atendimento em postos de saúde, unidades pré-hospitalares ou de pronto-atendimento. O médico avalia o caso e encaminha, se necessário, para aplicação do soro.

Crianças de até 12 anos devem ser levadas diretamente ao hospital de referência, mesmo que possuam convênio em hospital particular. A avaliação pediátrica especializada é fundamental para esse grupo de risco.

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