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Testemunhas de Jeová agora permitem derivados de sangue em tratamentos médicos

Testemunhas de Jeová flexibilizam regra e autorizam fiéis a usarem plasma, plaquetas e glóbulos em tratamentos médicos; confira a mudança

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Testemunhas de Jeová flexibilizam regra e autorizam fiéis a usarem plasma, plaquetas e glóbulos em transfusão • Divulgação

Depois de décadas de proibição total ao uso médico de sangue doado, as Testemunhas de Jeová anunciaram uma flexibilização significativa em suas regras religiosas. A partir de agora, cada fiel pode decidir individualmente se aceita receber os quatro principais componentes do sangue em tratamentos.

A mudança afeta milhões de pessoas em mais de 200 países e representa a segunda alteração na política sobre sangue anunciada pela organização em 2026. A decisão mantém a proibição a transfusões de sangue total, mas abre caminho para que procedimentos médicos antes vedados possam ser avaliados caso a caso por cada membro da religião.

Quais componentes do sangue agora podem ser aceitos

A nova orientação autoriza o uso de quatro componentes primários do sangue: plasma, plaquetas, glóbulos vermelhos e glóbulos brancos. Segundo Geoffrey W. Jackson, integrante do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, cabe a cada cristão tomar sua própria decisão sobre o uso desses componentes em procedimentos médicos e cirúrgicos.

A medida também permite que fiéis decidam, conforme a própria consciência, se desejam doar sangue para que seus componentes sejam usados no tratamento de outras pessoas. A doação e o recebimento de sangue total, no entanto, continuam absolutamente proibidos pela organização.

Esta é a segunda mudança na política sobre sangue anunciada pelas Testemunhas de Jeová neste ano. Em março, a religião passou a autorizar que seus integrantes armazenem o próprio sangue para uso em tratamentos futuros, desde que o material não seja destinado a outras pessoas.

Como plasma, plaquetas e glóbulos são usados em tratamentos

Cada componente do sangue tem aplicações médicas específicas. O plasma, que é a parte líquida do sangue, pode ser usado no atendimento de pacientes que sofreram traumas ou têm determinadas doenças, conforme informações da Cruz Vermelha Americana.

Os glóbulos vermelhos são utilizados em tratamentos contra anemia, enquanto os glóbulos brancos podem ser empregados em casos de determinadas infecções. As plaquetas, por sua vez, são usadas em alguns tratamentos de câncer e outras doenças.

Paul Gillies, porta-voz internacional das Testemunhas de Jeová, afirmou que a decisão de utilizar esses produtos deve ser tomada pelos membros após reflexão religiosa. Segundo ele, cada pessoa precisa orar, estudar e verificar o que a Bíblia diz a respeito, "porque, na Bíblia, o sangue representa a vida".

Por que a religião proíbe transfusões de sangue total

A posição contra transfusões está ligada à interpretação de trechos da Bíblia que determinam que os fiéis devem "abster-se" de sangue. Enquanto outras tradições cristãs e o judaísmo interpretam essas passagens principalmente como regras relacionadas à alimentação, as Testemunhas de Jeová estendem a orientação ao uso de sangue em procedimentos médicos.

Essa proibição é uma das características mais conhecidas da religião. Críticos, incluindo ex-integrantes, afirmam que a recusa de transfusões já levou a mortes que poderiam ter sido evitadas ao longo das décadas.

Como funciona a decisão individual sobre componentes sanguíneos

A nova regra transfere a responsabilidade da escolha para cada membro da organização. Geoffrey W. Jackson deixou claro que "cada cristão deve tomar sua própria decisão pessoal" sobre o uso dos quatro componentes primários em todos os tratamentos médicos e cirúrgicos.

Isso significa que dois fiéis da mesma congregação podem tomar decisões diferentes sobre aceitar plasma ou plaquetas em um procedimento. A autonomia individual substitui uma proibição uniforme que vigorava anteriormente para esses componentes específicos.

O contexto histórico das Testemunhas de Jeová

As Testemunhas de Jeová surgiram nos Estados Unidos no século 19 e compartilham algumas crenças com outras vertentes cristãs, embora apresentem diferenças em temas como a natureza de Jesus e a interpretação de profecias bíblicas.

Em 2025, a organização informou ter 9,2 milhões de membros em mais de 200 países e territórios. Nos Estados Unidos, eram cerca de 1,3 milhão de fiéis. A proibição ao uso de sangue sempre foi um dos elementos centrais da identidade religiosa do grupo.

O que mudou em março sobre armazenamento de sangue próprio

Antes da flexibilização atual sobre componentes, em março deste ano a religião já havia feito outra mudança significativa. A organização passou a autorizar que seus integrantes armazenem o próprio sangue para uso em tratamentos futuros.

Essa modificação anterior, no entanto, estabeleceu uma limitação importante: o material armazenado não pode ser destinado a outras pessoas. A permissão vale apenas para autotransfusão, quando a pessoa usa seu próprio sangue previamente coletado.

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