Erros culinários a evitar, a menos que você queira correr o risco de um incêndio com gordura
Pequenos descuidos com gordura podem causar grandes acidentes na cozinha

O ambiente da cozinha pode ser perigoso quando o assunto é o manuseio de óleos e gorduras quentes. Pequenos descuidos podem resultar em incêndios graves, já que a gordura, quando superaquecida, se torna um combustível altamente inflamável.
Juan Cabrera, chef executivo do The Restaurant at North Block, na Califórnia, nos Estados Unidos, sabe bem da importância de adotar medidas de segurança ao cozinhar e listou algumas de suas principais orientações para evitar acidentes causados por gordura.
Escolha óleos com ponto de fumaça elevado
Uma das formas mais eficazes de prevenir incêndios envolvendo gordura é optar por óleos que suportam altas temperaturas antes de começarem a soltar fumaça. A justificativa é simples: "Se o óleo começar a fumegar, emitir cheiro de queimado ou se a superfície borbulhar de forma intensa e escurecer, isso indica que está próximo de inflamar", explicou Cabrera ao site The Takeout. "Caso o óleo atinja o ponto de vaporização e entre em combustão, as chamas podem se espalhar rapidamente", completou.
Escolha sempre um óleo com ponto de fumaça pelo menos 10°C acima da temperatura que pretende usar para cozinhar. A preferência pessoal de Cabrera é pelo óleo de semente de uva, que resiste até cerca de 220°C. Para quem busca uma alternativa mais econômica, o óleo de soja é uma boa escolha, com um ponto de fumaça em torno de 233°C.
Por outro lado, a atenção deve ser redobrada ao cozinhar com banha, que suporta bem até 190°C. Se estiver utilizando gordura de porco solidificada, o ideal é manter a temperatura abaixo de 160°C. Frituras, em especial, são consideradas uma das práticas mais arriscadas na cozinha. Por isso, Cabrera alerta: "Evite qualquer óleo com ponto de fumaça baixo — a segurança deve vir sempre em primeiro lugar."
Outros fatores que podem resultar em um incêndio
Além do uso inadequado de óleos, Cabrera chama atenção para outros deslizes comuns que podem transformar a cozinha em um local perigoso. Um deles é sobrecarregar a panela com muitos alimentos ao mesmo tempo. "Colocar excesso de comida pode fazer com que o óleo transborde pelas laterais do fogão ou do recipiente, o que aumenta o risco de incêndio", adverte.
O chef também orienta sobre o perigo de mergulhar alimentos frios ou com muita umidade no óleo quente. "Quando adicionamos alimentos frios, a temperatura do óleo cai abruptamente e, depois, sobe de maneira brusca, gerando bolhas violentas que podem causar transbordamento", explica. Para evitar esse risco, Cabrera recomenda: "Sempre seque bem carnes, legumes ou qualquer outro ingrediente antes de fritar. Água e óleo quente podem causar respingos perigosos e até incêndios."
Outra medida essencial é não perder o óleo de vista durante o preparo. Ele pode superaquecer rapidamente e pegar fogo. Enquanto observa a fritura, aproveite também para manter a área ao redor limpa. Como Cabrera destaca, "o acúmulo de gordura em fogões e fornos pode inflamar-se facilmente quando exposto a altas temperaturas."
O que fazer caso um incêndio aconteça
Mesmo tomando todas as precauções, acidentes podem ocorrer — e, nesses casos, agir rapidamente faz toda a diferença. Diante de fumaça ou, pior ainda, de chamas, é fundamental manter a calma e agir com eficiência.
Todo incêndio precisa de três elementos para se manter: combustível, calor e oxigênio. A primeira providência deve ser desligar o queimador, interrompendo o fornecimento de calor e limitando o combustível. O passo seguinte consiste em cobrir as chamas com uma tampa metálica ou uma assadeira para abafar o fogo e eliminar o oxigênio.
Se as chamas persistirem, é possível usar sal ou bicarbonato de sódio para apagá-las. Outra alternativa eficaz é recorrer a um extintor de incêndio específico para uso doméstico ou, ainda, uma manta anti-chamas, que tem a vantagem de não contaminar a cozinha com substâncias químicas.
Porém, se o fogo estiver fora de controle, não hesite: ligue imediatamente para o Corpo de Bombeiros (193). A única coisa que jamais deve ser feita é jogar água sobre o fogo. Como Cabrera reforça: "Isso pode fazer com que as chamas se espalhem ainda mais."
Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente, é repórter multimídia no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Antes passou pela TV Alterosa. Escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.



