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Elsa Punset, filósofa espanhola: 'Quando um relacionamento termina não perdemos apenas uma pessoa, perdemos uma parte do futuro'

Entenda por que o desamor dói fisicamente, as fases emocionais de uma separação e como aprender com essa perda segundo Elsa Punset

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Elsa Punset, filósofa espanhola: 'Quando um relacionamento termina não perdemos apenas uma pessoa, perdemos uma parte do futuro' • Unsplash

Quando um relacionamento termina, a dor vai muito além do emocional. O corpo também reage, e a sensação de "coração partido" não é apenas uma figura de linguagem — é uma resposta física real.

A escritora e filósofa espanhola Elsa Punset, reconhecida por seu trabalho sobre inteligência emocional e relações humanas, explica que o "desamor" funciona como uma perda que atravessa diferentes etapas. Compreender esse processo pode ajudar a enfrentar a separação de maneira mais consciente e menos dolorosa.

A primeira reação ao término: negação e proteção

Logo após uma separação, é comum entrar em estado de negação. Nesse momento, a pessoa resiste a aceitar que o relacionamento acabou e mantém a esperança de uma reconciliação.

Segundo Punset, essa é uma forma de proteção do cérebro. "No início, o que você faz é negar que seu amor se foi. No fundo, você acredita que vai voltar, que ele vai voltar, e é basicamente uma forma de se proteger. O cérebro está como em estado de susto, de choque", explica a filósofa.

Essa fase funciona como um amortecedor emocional. O sistema nervoso precisa de tempo para processar a mudança radical que está acontecendo na vida da pessoa.

Ira, culpa e a busca por respostas

Depois da negação, outras emoções surgem. A raiva aparece como uma tentativa de dar sentido ao que aconteceu, seguida pela culpa e pelos reproches.

Nessa etapa, é comum revisar mentalmente tudo o que poderia ter sido diferente. A pessoa se pergunta sobre seus próprios erros e sobre as escolhas que fez durante a relação.

Punset recomenda não reprimir esses sentimentos. "O que você tem que fazer é falar sobre isso, mesmo que doa. Resistir à dor vai piorá-la", aconselha.

Por que o corpo também sente o desamor

A tristeza que acompanha uma ruptura não fica restrita às emoções. Muitas pessoas experimentam mal-estar físico, falta de energia e sensação de vazio.

A filósofa esclarece que existe uma base neurológica para isso. "O rechaço e a perda afetiva ativam alguns dos mesmos sistemas cerebrais envolvidos na dor física. Quando dizemos que nos 'romperam o coração', nosso corpo também sabe do que estamos falando", afirma.

Se os sintomas físicos se intensificarem, é importante consultar um profissional de saúde. O corpo está comunicando que precisa de cuidado.

A perda vai além da pessoa: é também o futuro que se foi

Encerrar uma relação não significa apenas perder a companhia de alguém. Significa abrir mão dos planos, das expectativas e dos sonhos que foram construídos a dois.

Punset resume essa dimensão do luto amoroso de forma clara: "Quando uma relação termina, não perdemos somente uma pessoa, perdemos também uma parte do futuro que havíamos imaginado".

Reconhecer essa perda dupla ajuda a validar a intensidade do sofrimento. Não se trata apenas de saudade — é também sobre reorganizar todo um projeto de vida.

Como os padrões da infância influenciam as relações

Para a especialista, uma separação pode ser uma oportunidade de revisar a forma como nos relacionamos. Muitos dos comportamentos repetidos nos vínculos afetivos têm origem na infância.

"Muitas das coisas que buscamos, tememos ou repetimos em nossas relações têm raízes no que aprendemos sobre o amor quando éramos pequenos", expõe Punset.

Olhar para trás e identificar padrões recorrentes permite fazer escolhas diferentes no futuro. Entender o que se repete é o primeiro passo para transformar.

O aprendizado que acelera a superação

Compreender o que aconteceu na relação não elimina a tristeza de imediato, mas abre caminho para a recuperação. Punset propõe uma reflexão consciente sobre o que foi vivido.

"Talvez um dos maiores favores que podemos fazer a nós mesmos depois de um tropeço seja tentar compreendê-lo: o que escolhemos, o que toleramos, o que repetimos e o que podemos fazer diferente na próxima vez", analisa.

Quem consegue extrair lições da experiência tende a superar o desamor mais rapidamente. "As pessoas que conseguem compreender suas lições e tirar proveito delas são as que superam rápido o desamor. Temos que conseguir entender o ocorrido, aceitá-lo e tirar proveito disso", conclui a filósofa.

Esse processo de aprendizado devolve o controle emocional à pessoa. Em vez de se sentir vítima das circunstâncias, ela passa a se perceber como alguém capaz de evoluir e fazer escolhas mais conscientes.

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