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De geração em geração: família preserva tradição de 35 anos produzindo rapadura artesanal

Conheça o processo completo da produção artesanal de rapadura e entenda como quatro gerações mantêm viva uma tradição familiar no interior paulista

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Processo de produção de rapadura
Imagem de uma rapadura • Arquivo

O barulho da moenda marca o ritmo de trabalho de uma família há quase quatro décadas. Em Cajuru, na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, seu José e dona Maria transformaram uma aposta em tradição viva, produzindo rapadura artesanal desde que tinham pouco mais de 20 anos. Hoje, aos 84 anos, seu José segue à frente da produção ao lado da esposa, filhos, genro, netos e bisnetas. O que começou como inspiração vinda dos próprios pais e tios se tornou um negócio familiar que movimenta o sítio e preserva conhecimentos passados de geração em geração.

O processo tradicional de produção da rapadura

O processo começa com o corte de pelo menos 10 mil quilos de cana-de-açúcar por semana. Toda a cana cortada segue para a moenda, onde o caldo é extraído e direcionado aos tachos de inox. O aquecimento dos tachos acontece com lenha, mantendo a técnica tradicional. O caldo permanece no fogo até atingir o ponto ideal de consistência. O teste do ponto é feito mergulhando uma porção do melado em água. Segundo seu José, o doce precisa ficar na textura certa, sem endurecer demais nem permanecer muito macio. Esse conhecimento empírico define a qualidade final do produto.

Dois mercados distintos para um produto artesanal

A rapadura da família conquistou espaço em dois segmentos completamente diferentes. O primeiro é o mercado tradicional, onde consumidores buscam o formato quadrado clássico do doce. O segundo mercado surgiu com a indústria cervejeira. Cervejarias artesanais passaram a utilizar a rapadura como ingrediente para agregar sabor especial às bebidas. A parceria com as cervejarias rendeu reconhecimento além da venda. Uma cervejaria criou um rótulo comemorativo em homenagem ao casal, celebrando a tradição e qualidade do produto.

Aumento da produção nas festas juninas e julinas

Durante as Festas Juninas e Julinas, a produção cresce cerca de 50%. Dona Maria chega a iniciar o trabalho à 1h da manhã nesse período. A estratégia evita a presença de abelhas que aparecem durante o dia, atraídas pelo melado quente.

Quatro gerações trabalhando juntas na tradição

A família conta com a participação ativa de quatro gerações no processo produtivo. Cada membro tem funções específicas na cadeia de produção. Alice, bisneta do casal, cresceu no meio da produção. Quando criança, ela apareceu em uma reportagem fascinada pelos pedaços de doce saindo quentes do tabuleiro. Hoje adulta, Alice ajuda na venda e no marketing da rapadura. Ela mesma admite que não imaginava esse caminho quando era pequena. A caçula Cecília, de 13 anos, tem outros planos para o futuro. Ela sonha em ser pediatra, mas garante que não pretende se afastar da família nem abandonar a tradição da rapadura.

Conhecimento transmitido através das gerações

O saber fazer a rapadura no ponto certo representa conhecimento acumulado ao longo de décadas. Seu José e dona Maria aprenderam observando seus próprios pais e tios. Essa transmissão de saberes continua acontecendo naturalmente no dia a dia do sítio. As gerações mais novas absorvem técnicas e práticas simplesmente participando do processo. O modelo de trabalho familiar garante que a tradição permaneça viva. Cada geração adapta sua contribuição conforme habilidades e interesses, mas mantém o núcleo da produção artesanal intacto.

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