Criatividade pode ser treinada? Ciência mostra como o cérebro desenvolve essa capacidade
Estudos de psicologia e neurociência indicam que a criatividade não é um talento exclusivo de artistas e pode ser desenvolvida com estímulos e prática

Durante muito tempo, a criatividade foi vista como uma espécie de dom, presente apenas em pessoas consideradas especialmente talentosas. Mas pesquisas realizadas nos últimos anos apontam para uma visão diferente: a capacidade de criar pode ser desenvolvida e está ligada a processos que acontecem no cérebro.
A criatividade não se limita à produção artística. Ela também aparece em situações comuns, como encontrar uma solução diferente para um problema, pensar em novas maneiras de realizar uma tarefa ou encontrar respostas úteis diante de situações inesperadas.
Segundo uma reportagem publicada pelo site Infobae, a psicologia e a neurociência passaram a investigar com mais atenção quais mecanismos favorecem a criatividade, quais fatores podem dificultá-la e de que maneira essa capacidade pode ser estimulada.
Criatividade não é apenas inspiração
A ideia de que uma pessoa simplesmente nasce criativa e outra não começou a perder força conforme os estudos sobre o funcionamento cerebral avançaram. A criatividade passou a ser compreendida como uma habilidade relacionada à capacidade de estabelecer conexões, explorar possibilidades e produzir respostas novas e úteis.
Isso significa que ela pode estar presente em diferentes áreas da vida, mesmo quando não envolve desenho, música, escrita ou outras formas de arte.
No trabalho, nos estudos e até na resolução de problemas cotidianos, pensar de maneira criativa pode ajudar a encontrar alternativas que não seriam consideradas em uma abordagem mais automática.
O papel do cérebro
A criatividade envolve diferentes processos mentais e não depende de uma única região do cérebro. A interação entre esses processos permite que informações já conhecidas sejam combinadas de novas maneiras.
Esse funcionamento também ajuda a explicar por que experiências, conhecimentos e estímulos diferentes podem contribuir para o desenvolvimento da criatividade. Quanto mais possibilidades uma pessoa consegue considerar, maiores podem ser as oportunidades de estabelecer novas conexões.
A capacidade de mudar e fortalecer determinadas conexões cerebrais está relacionada à neuroplasticidade, mecanismo que permite ao cérebro se adaptar e desenvolver novos padrões ao longo do tempo.
Uma habilidade que pode ser exercitada
A principal conclusão é que criatividade não precisa ser encarada como uma característica fixa. Assim como outras capacidades cognitivas, ela pode ser estimulada por meio da prática e da exposição a novas experiências.
A ideia também aparece em trabalhos anteriores citados pelo site de notícias argentino. O biólogo molecular e divulgador científico Estanislao Bachrach, por exemplo, afirma que "a criatividade não é só para a arte" e que se trata de uma capacidade cerebral que pode ser treinada e aplicada a diferentes áreas da vida.
Dessa forma, buscar novas experiências, questionar respostas automáticas e permitir diferentes maneiras de pensar podem fazer parte desse processo. A criatividade deixa, assim, de ser vista apenas como uma inspiração repentina e passa a ser entendida também como uma capacidade que pode ser desenvolvida.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



