Criatividade não é só talento, é decisão diária
O que diferencia quem cria de quem apenas repete

Existe uma ideia confortável de que criatividade é um traço natural, algo que algumas pessoas têm e outras não. Ao longo da minha trajetória, passando por áreas completamente destintas, mas que conversam com públicos completamente distintos, essa percepção nunca fez sentido. Criar não tem a ver com um ponto de partida privilegiado, tem a ver com ajuste constante, leitura de contexto e, principalmente, escolha e entrega. É no momento que a diferença começa a aparecer.
Quando você transita entre universos diferentes, aprende rápido que não existe fórmula única. O que funciona em um ambiente pode simplesmente não existir em outro. Esse movimento obriga a reorganizar pensamento, linguagem e entrega o tempo todo. Com o tempo, fica evidente que criatividade não nasce pronta. Ela se constrói na repetição consciente de decisões que fogem do automático.
Criar não é inventar, é saber o que fazer com o que já existe
A ideia de originalidade absoluta costuma ser superestimada. Na prática, tudo parte de algo que já está no mundo. A diferença está na forma como isso é combinado, adaptado ou até confrontado. Criar exige mais interpretação do que invenção. Exige parar, observar e decidir o que merece ser mantido e o que precisa ser transformado.
O problema é que hoje tudo favorece o caminho mais rápido. Produzir ficou simples. Executar ficou eficiente. Mas eficiência não constrói identidade. Quando tudo é feito para funcionar bem, pouca coisa é feita para ser memorável. Criatividade não está em acompanhar o fluxo, está em saber quando sair dele, mesmo sem garantia de resultado imediato.
Quando todo mundo parece criativo, a régua muda
Nunca foi tão fácil produzir algo que parece bom. Ferramentas ajudam, referências estão acessíveis e a execução deixou de ser um obstáculo. Só que, ao mesmo tempo, tudo começa a se parecer. A estética se repete, os formatos se reproduzem e as ideias circulam até perder força. O resultado é uma sensação constante de novidade que dura pouco.
Esse cenário cria uma distorção. Muita gente não quer ser original de fato, quer apenas parecer original o suficiente para funcionar dentro de um padrão. Só que parecer não sustenta no longo prazo. O que se repete demais deixa de chamar atenção. E quando tudo soa parecido, qualquer diferença real ganha espaço.
Ser criativo hoje é sustentar escolhas menos óbvias
Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.


