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Como o excesso de televisão pode afetar o cérebro, de acordo com a ciência

Diversos estudos associam o consumo excessivo de televisão a um pior desempenho cognitivo e a um maior risco de demência

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Consumo excessivo de televisão está associado a uma série de problemas cognitivos
Consumo excessivo de televisão está associado a uma série de problemas cognitivos • Magnific

A televisão faz parte do dia a dia de milhões de pessoas, mas passar muito tempo em frente à tela pode ter consequências que vão além de um estilo de vida sedentário. Há décadas, pesquisadores estudam o que acontece quando horas de entretenimento em frente à televisão se tornam rotina diária, encontrando resultados que demonstram um impacto negativo na saúde e nos padrões de sono.

Uma das principais preocupações está relacionada à função cognitiva. Um estudo acompanhou 3.247 pessoas durante 25 anos, desde os 18 até os 30 anos de idade no início da pesquisa. Os participantes foram posteriormente avaliados por meio de testes que mediam a velocidade de processamento, a função executiva e a memória verbal.

Os resultados mostraram que aqueles que assistiam televisão por mais de três horas por dia e, ao mesmo tempo, apresentavam baixos níveis de atividade física durante a juventude, tiveram um desempenho pior em algumas funções cognitivas na meia-idade; no entanto, o mesmo declínio não foi observado em testes de memória verbal, e os pesquisadores alertaram que o estudo não pôde comprovar uma relação de causa e efeito.

Risco de demência

O tempo gasto assistindo à televisão também foi analisado em pesquisas sobre demência. Um estudo publicado em 2023 descobriu que pessoas que assistiam de duas a três horas de televisão por dia, ou mais de três horas, apresentavam um risco maior de demência em comparação com aquelas que assistiam entre zero e uma hora diariamente.

A diferença foi ainda mais acentuada entre aqueles com histórico familiar de demência. Nesse grupo, aqueles que assistiam mais televisão apresentaram um risco 42% maior, em comparação com 30% entre aqueles sem esse histórico.

Ainda assim, os pesquisadores observaram uma limitação importante: uma associação não significa necessariamente que assistir televisão cause demência, já que pessoas que começam a apresentar alterações cognitivas também podem estar passando mais tempo em frente a uma outra tela.

Outro estudo analisou os hábitos de visualização de televisão de 599 adultos ao longo de duas décadas e, posteriormente, examinou diferentes regiões de seus cérebros. Aqueles que passavam mais tempo assistindo à televisão apresentaram um menor volume de massa cinzenta em áreas como o córtex frontal e entorrinal, bem como uma redução no volume total de massa cinzenta.

Ryan Dougherty, coautor desse estudo, explicou à revista Johns Hopkins: "Pessoas que assistiram, em média, cerca de uma hora e meia a mais de televisão por dia do que seus pares durante a meia-idade e a idade adulta avançada apresentaram uma redução de cerca de 0,5% no volume cerebral."

“Essa porcentagem pode parecer pequena, mas o pensamento científico predominante defende que preservar a integridade do nosso cérebro pode prolongar o tempo até notarmos o declínio cognitivo relacionado à idade”, acrescentou.

A televisão também pode afetar o sono

O repouso é outro aspecto que despertou o interesse dos pesquisadores. Alguns estudos sugerem que a televisão pode atrasar a hora de dormir e afetar a produção de melatonina, um hormônio que ajuda a regular o ciclo sono-vigília.

Em um estudo experimental, cientistas analisaram como assistir televisão poderia alterar a secreção de melatonina e cortisol. Outro estudo, realizado com estudantes universitários e idosos, limitou os participantes a 30 minutos de televisão por dia durante uma semana.

Os estudantes universitários começaram a ir para a cama significativamente mais cedo e a dormir por mais tempo, embora o mesmo efeito não tenha sido observado em adultos mais velhos.

Apesar desses resultados, os pesquisadores acreditam que ainda são necessários mais estudos para compreender completamente como o tempo gasto em frente às telas afeta o sono e se essa relação pode ter consequências para a saúde cardiometabólica.

Quantas horas de televisão são demais?

Atualmente, não existe um limite universal que possa ser considerado uma quantidade "segura" de tempo gasto assistindo televisão para todos; no entanto, diversos estudos começam a encontrar associações preocupantes quando o consumo diário gira em torno de duas a quatro horas ou mais.

Um estudo de 2026 descobriu que passar mais de 2,06 horas por dia assistindo televisão estava associado a um aumento de 17% no risco de demência por qualquer causa.

Outros estudos também identificaram potenciais efeitos negativos a partir de duas ou três horas por dia, enquanto alguns estudos encontraram associações com problemas cognitivos entre aqueles que ultrapassam as quatro horas.

Em todo caso, as evidências atuais não indicam que assistir televisão por algumas horas inevitavelmente cause deterioração cerebral ou demência. O que os estudos sugerem é que passar grande parte do dia sentado em frente a uma tela pode estar associado a uma saúde cognitiva mais precária, especialmente quando isso substitui a atividade física, o descanso e outras atividades que mantêm o cérebro ativo.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou na Rádio UFMG Educativa e em empresas de marketing, com experiência em produção de conteúdo, SEO e redação Atualmente, escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.

 

 

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