Como a música transforma o cérebro e pode influenciar memória, aprendizado e emoções
Neuropsicóloga explica por que o contato com a música nos primeiros anos de vida ajuda a moldar conexões cerebrais e reforça habilidades cognitivas ao longo da vida

A música vai muito além do entretenimento. Desde os primeiros anos de vida, ela participa da formação do cérebro, influencia emoções, fortalece a memória e contribui para o desenvolvimento de diversas habilidades cognitivas. Especialistas em neurociência afirmam que o contato frequente com sons, ritmos e melodias pode deixar marcas duradouras na estrutura cerebral.
Segundo a neuropsicóloga Lucía Crivelli, em reportagem publicada pelo site argentino Infobae, o cérebro humano possui uma característica conhecida como neuroplasticidade, que permite a criação e reorganização constante de conexões entre neurônios. Essa capacidade é especialmente intensa durante a infância, período em que experiências e estímulos do ambiente ajudam a moldar o desenvolvimento cerebral.
De acordo com a especialista, ouvir música ativa simultaneamente diversas regiões do cérebro. Áreas relacionadas à audição, memória, linguagem, atenção e emoções trabalham em conjunto durante a experiência musical. Essa ativação ampla ajuda a explicar por que a música pode influenciar o aprendizado e o desempenho intelectual.
Estudos recentes também mostram que o cérebro não se limita a receber sons de forma passiva. Pesquisadores observaram que ritmos e estímulos sonoros são capazes de reorganizar redes neurais em tempo real, modificando a comunicação entre diferentes regiões cerebrais. Essa adaptação demonstra como a música pode exercer influência profunda sobre o funcionamento da mente.
Na infância, esse processo ganha importância ainda maior. Como o cérebro está em fase acelerada de desenvolvimento, experiências musicais podem contribuir para a construção de habilidades relacionadas à memória, à concentração e ao processamento de informações. Organizações dedicadas ao desenvolvimento infantil também destacam que a música estimula competências importantes para a aprendizagem escolar e para o crescimento cognitivo das crianças.
Outro aspecto destacado pelos especialistas é a ligação entre música e emoções. Ao ouvir uma canção, estruturas cerebrais associadas ao sistema emocional entram em ação, favorecendo a criação de memórias afetivas e influenciando estados de humor. Esse mecanismo ajuda a explicar por que determinadas músicas podem despertar lembranças marcantes ou provocar sensações específicas.
A ciência também indica que os benefícios da música não ficam restritos à infância. A neuroplasticidade continua presente ao longo da vida, permitindo que novas habilidades sejam desenvolvidas na idade adulta por meio da prática e da aprendizagem contínua. Para os especialistas, isso reforça a ideia de que o contato com a música pode contribuir para a saúde cerebral em diferentes fases da vida.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



