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Foi plantada em 1825 para alimentar a população: 200 anos depois, tornou-se uma árvore invasora

Saiba como o araçá vermelho, levado do Brasil ao Havaí em 1825, virou praga ambiental e está sendo controlado com insetos e drones. Confira.

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Imagem de uma árvore • Marcelo Camargo / Agência Brasil

Em 1825, autoridades havaianas tomaram uma decisão que parecia sensata: importar do Brasil uma árvore frutífera para ajudar a alimentar a população local. O araçá vermelho, batizado cientificamente como Psidium cattleianum, adaptou-se tão bem ao clima quente e úmido do arquipélago que o gesto de duas centenas de anos atrás transformou-se em um dos maiores desafios ambientais da região.

A planta escapou do controle humano e colonizou grandes extensões de território, formando florestas densas que sufocam a vegetação nativa e alteram por completo a estrutura das áreas afetadas. Hoje, cientistas mobilizam tecnologia de ponta e um aliado improvável vindo do mesmo Brasil de onde a árvore partiu: um pequeno inseto que pode reverter o problema sem prejudicar outras espécies.

Como uma árvore alimentícia virou ameaça ambiental

A introdução do araçá vermelho no Havaí partiu de uma intenção positiva. Autoridades buscavam expandir as opções de alimento disponíveis para a população do arquipélago, aproveitando uma espécie que prospera em climas tropicais.

O problema surgiu justamente pela adaptação perfeita da planta ao novo ambiente. Sem os predadores naturais e competidores que limitam seu crescimento no Brasil, a árvore encontrou condições ideais para se espalhar sem controle.

Ao longo dos anos, ela formou florestas tão densas que impedem o crescimento da vegetação nativa. A estrutura das áreas afetadas mudou completamente, criando um desequilíbrio ecológico que persiste até hoje. Esse padrão é comum quando espécies são levadas para fora de seu habitat original sem o devido cuidado com o ecossistema ao redor.

Um inseto brasileiro entra na batalha contra a invasão

Para conter o avanço da espécie invasora, cientistas recorreram a outro organismo nativo do Brasil: o Tectococcus ovatus. Esse pequeno inseto se alimenta exclusivamente do araçá vermelho, o que o torna uma arma biológica precisa.

Aprovado pelas autoridades havaianas em 2012, o inseto forma pequenas galhas nas folhas da árvore. Essas estruturas enfraquecem o crescimento da planta sem prejudicar outras espécies presentes na região.

O método funciona de forma parecida com o modo como certos ingredientes naturais ajudam a afastar pragas sem o uso de produtos químicos: atua especificamente no alvo, preservando o restante do ecossistema.

Drones reduzem tempo de tratamento em 77%

A novidade mais recente do projeto está na forma de distribuição do inseto controlador. Um estudo publicado no Journal of Economic Entomology comparou a liberação manual com um sistema de distribuição por drones.

A diferença de desempenho foi expressiva. Enquanto o método manual levava cerca de 12 minutos para tratar cada árvore, os drones reduziram esse tempo para apenas 2,8 minutos. Isso representa uma economia de 77% no tempo de operação.

A eficácia também cresceu. A colonização bem-sucedida do inseto nas árvores tratadas passou de 38% para 63% um ano após a aplicação. Além disso, os drones facilitam o acesso a áreas de mata mais difíceis de alcançar a pé, permitindo que o projeto alcance regiões antes inacessíveis.

Projeto Kūhualūlū acelera proteção do ecossistema

Depois dos primeiros testes com sucesso, a equipe de pesquisadores desenvolveu drones com maior capacidade de distribuição. A iniciativa recebeu o nome de Kūhualūlū.

O objetivo do projeto é acelerar o controle da espécie invasora em áreas de difícil acesso. Com isso, busca-se proteger os ecossistemas nativos do Havaí, que seguem ameaçados pela expansão da árvore trazida do Brasil há dois séculos.

A expectativa dos cientistas é que a tecnologia sirva de modelo para outros programas de controle biológico ao redor do mundo. A combinação de drones com agentes biológicos específicos pode reduzir custos e agilizar o trabalho em florestas de difícil acesso, oferecendo uma solução replicável para problemas semelhantes em diferentes regiões.

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