Itatiaia

Adeus, chuveiro elétrico: garrafas PET e tubos de PVC usa o sol para esquentar a água

Saiba como funciona o aquecedor solar caseiro com garrafas PET e tubos de PVC que usa o termossifão

Por
Chuveiro
Unsplash

José Alcino Alano observava as garrafas PET e caixas de leite se acumularem em casa. A pilha crescia, mas a conta de luz também. Foi em 2002, em Tubarão, Santa Catarina, que ele decidiu transformar aqueles materiais descartados em algo útil: um aquecedor solar artesanal.

O sistema que nasceu desse experimento utiliza aproximadamente 100 garrafas PET transparentes, 100 embalagens longa vida e tubos de PVC para aquecer a água do banho sem precisar de eletricidade. O princípio é simples: o sol aquece a água dentro de coletores montados no telhado, e ela circula naturalmente entre o reservatório e os tubos. Medições feitas no protótipo original registraram temperaturas de cerca de 38 °C no inverno catarinense e até aproximadamente 50 °C no verão.

Como funciona o aquecimento solar por termossifão

O sistema criado por José Alcino aproveita um princípio físico chamado termossifão. A água fria, mais densa, desce do reservatório para os coletores instalados no telhado. Conforme absorve o calor do sol, ela fica menos densa e sobe naturalmente de volta ao reservatório.

Esse movimento acontece sem bomba elétrica ou qualquer dispositivo mecânico. É o mesmo princípio básico encontrado nos aquecedores solares residenciais comerciais, embora esses utilizem materiais e componentes industrializados.

A circulação natural da água depende da diferença de temperatura entre o coletor e o reservatório. Quanto maior o aquecimento no telhado, mais eficiente é o movimento de subida da água quente.

A estrutura do coletor com materiais reaproveitados

As garrafas PET transparentes são cortadas e encaixadas ao redor de tubos de PVC. Dentro delas ficam embalagens longa vida preparadas e pintadas de preto, assim como parte da tubulação.

A cor escura das embalagens e dos tubos absorve melhor a radiação solar. As garrafas PET formam uma cobertura ao redor do conjunto, criando um efeito estufa que retém o calor.

O primeiro protótipo utilizou cerca de 100 garrafas PET, 100 embalagens longa vida e tubos de PVC. Todos esses materiais foram reaproveitados, transformando resíduos domésticos em componentes de um sistema funcional.

Dimensionamento exige planejamento técnico

Instalar o sistema não se resume a colocar garrafas no telhado. Quantidade de coletores, inclinação, orientação solar, posição do reservatório e consumo de água precisam entrar no dimensionamento.

A água quente também deve ficar armazenada em recipiente devidamente isolado para reduzir a perda de temperatura. Sem isolamento adequado, a água esfria rapidamente e o sistema perde eficiência.

A estrutura, as conexões hidráulicas, a pressão da água e a resistência dos componentes precisam ser avaliadas antes do uso cotidiano. Alterações hidráulicas e instalação sobre o telhado exigem cuidado com segurança e estanqueidade.

Limitações do sistema em dias nublados e alta demanda

Dias nublados, períodos prolongados de chuva e maior consumo de água podem diminuir o desempenho do aquecedor solar artesanal. A dependência da radiação solar é a principal limitação do método.

Por esse motivo, residências podem manter um sistema complementar para quando o sol não for suficiente. Uma alternativa é o chuveiro híbrido, que utiliza outra fonte de água quente e aciona a resistência apenas quando necessário.

O sistema não representa o fim imediato do chuveiro elétrico tradicional. Ele mostra, porém, que materiais reaproveitados podem formar um coletor solar funcional e reduzir a energia necessária para esquentar a água do banho.

Performance térmica registrada no protótipo original

Medições divulgadas pelo projeto apontaram temperaturas próximas de 38 °C durante o inverno catarinense. No verão, o sistema alcançou cerca de 50 °C, dependendo das condições do dia.

Esses valores mostram que o aquecimento solar artesanal pode atingir temperaturas confortáveis para banho. A variação entre estações reflete a intensidade da radiação solar disponível em cada período.

A performance real depende de fatores como insolação local, horário de uso, volume de água armazenado e qualidade da montagem. Cada instalação terá resultados diferentes conforme essas variáveis.

Por

A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.

 

 

Belo Horizonte