A razão histórica pela qual um país da América Latina deixou de dirigir pela esquerda
Mudança ocorreu em 10 de junho de 1945, quando o país passou a adotar a circulação pela direita

A Argentina nem sempre adotou o mesmo sentido de circulação utilizado atualmente. Até 1945, carros, ônibus e carruagens circulavam pela mão esquerda nas ruas e rodovias do país, seguindo uma prática associada à influência britânica na infraestrutura argentina.
A mudança ocorreu em 10 de junho de 1945, quando o país passou a adotar a circulação pela direita. A alteração modificou o trânsito argentino e também foi relacionada a fatores técnicos, comerciais e de segurança viária.
Por que a Argentina dirigia pela esquerda?
A circulação pela esquerda havia sido incorporada à Argentina durante o período de forte influência britânica no país, especialmente a partir da expansão das redes ferroviária e de transporte urbano.
Empresas britânicas tiveram participação importante na construção e na operação de ferrovias e sistemas de transporte argentinos. Com isso, regras e costumes relacionados à circulação adotados no Reino Unido também foram incorporados ao cotidiano do país.
Segundo o artigo do El Cronista, a mudança de 1945 também foi apresentada como uma forma de estabelecer uma diferenciação em relação às normas de circulação associadas ao Reino Unido.
Por que a Argentina passou a dirigir pela direita?
Além das questões relacionadas à influência britânica, havia motivos práticos para a alteração.
Um dos principais fatores era a origem dos veículos que circulavam no país. A Argentina recebia grande quantidade de automóveis fabricados nos Estados Unidos, onde os veículos tinham o volante do lado esquerdo.
Com a circulação pela esquerda, essa configuração dificultava a visibilidade dos motoristas durante ultrapassagens. A mudança para a mão direita permitiu uma maior compatibilidade entre a posição do motorista e o sentido de circulação.
Outro fator foi a necessidade de integração com os países vizinhos. Brasil, Chile e Uruguai já utilizavam a circulação pela direita, e a padronização facilitava o trânsito entre os países e a integração das redes rodoviárias.
Mudança exigiu adaptação do trânsito
A alteração do sentido de circulação foi uma operação de grande escala. Ruas, estradas, sinalizações e motoristas precisaram ser adaptados ao novo sistema.
A mudança também buscava padronizar as condições de segurança viária e adequar a infraestrutura argentina ao crescimento da frota de veículos e à integração rodoviária com outros países da América do Sul.
Desde então, a Argentina mantém a circulação pela mão direita, padrão que também é adotado atualmente pela maior parte dos países da América do Sul.
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