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Alambique em Três Pontas reúne mais de 110 mil litros de cachaça armazenados

Inspirada em memórias de infância e no conhecimento em química, produção da Cachaça Divina Cana celebra data nacional e investe em visitação guiada.

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Reconhecimento despertou o interesse do público em conhecer de perto o local de fabricação das bebidas. • Sebrae Minas

Reconhecida internacionalmente como a terra do café, a cidade de Três Pontas também se consolidou como refúgio para a produção de cachaça. No mês em que se celebra o Dia Nacional da Cachaça, comemorado no último domingo (13), o município se destaca por abrigar a Cachaça Divina Cana. No ano passado, a produção do alambique chegou a 17 mil litros. Parte dessa bebida permanece armazenada em barris, onde ganha corpo e características ao longo do tempo. Atualmente, o alambique local possui mais de 110 mil litros de cachaça armazenados.

O processo de fabricação é completo e abrange desde o plantio, moagem, fermentação, destilação e separação das frações, até o armazenamento e engarrafamento. O proprietário Paulo Sérgio de Souza Rodrigues explicou à Rádio Itatiaia Sul de Minas que o projeto nasceu de lembranças familiares.

"Ele contava que meu avô fazia açúcar a meio com os vizinhos e que ele trabalhava junto do meu avô naquele pequeno engenho. E tudo isso foi ficando guardado comigo. Já em 2010, eu já estava morando aqui Três Pontas, e eu e a Regina resolvemos comprar um sítio. Mas naquela época, a gente não tinha função específica para esse sítio. Mas quando foi em 2015, eu pensei em fazer alguma coisa, e veio essa ideia de montar um pequeno alambique. E era para ser simplesmente um hobby, uma coisa pequena, mas que de alguma maneira ligasse àquelas memórias que tínhamos da infância com meu pai. Mas quando eu comecei a fazer essas cachaças, eu me apaixonei pelo processo. Gostei da transformação da cana, da fermentação, da destilação, e aquilo que era para ser um hobby começou a ganhar outra dimensão. Então eu passei a estudar, buscar conhecimento, melhorar um pouco esses processos", afirmou Paulo.

No ano passado, a produção chegou a 17 mil litros. • Sebrae Minas
No ano passado, a produção chegou a 17 mil litros. • Sebrae Minas

Apesar da formação em química, o produtor enfrentou desafios no início do empreendimento. "Desde o início, eu queria fazer o melhor possível. Então, fui estudar, buscar conhecimento, entender cada etapa do processo e aprimorar o meu alambique. A ideia sempre foi conseguir extrair o máximo daquilo que a cana poderia me oferecer, preservando aromas e sabores, né? Eu costumo chamar isso de espírito da cachaça, porque a destilação é a concentração do espírito da cachaça, né? E tudo isso começa na escolha da cana. Aqui a gente trabalha com duas variedades. Uma mais precoce, e uma de ciclo mais comum, para conseguir trabalhar a melhor maturação possível da cana ao longo da safra. E aí entra outra coisa muito importante na nossa identidade. Estamos em Três Pontas. Terra de Milton Nascimento, terra da música. Aqui, as nossas leveduras escutam o Milton Nascimento", detalhou.

O produtor ressalta que o trabalho é pautado pela intenção e pela arte, com destaque para a utilização da madeira. "São mais de 40 tipos de madeira. E a gente ainda pode combinar elas. Então, fica uma coisa praticamente infinita. Os nossos rótulos nasceram dessas combinações, dessas ideias. A gente aqui quis associar cada nome à identidade que aquela madeira, que aquela cachaça pode ter", pontuou Paulo, exemplificando o rótulo Netuno, batizado em referência ao deus romano das águas e com design em tom azul para remeter aos oceanos.

Paulo e a esposa Regina. • Sebrae Minas
Paulo e a esposa Regina. • Sebrae Minas

Toda essa dedicação se refletiu em premiações. Em 2024, a Divina Cana Febo recebeu a Medalha de Prata no Spirits Selection do Concours Mondial de Bruxelles. No mesmo ano, conquistou a Medalha de Bronze na categoria “Cachaça de Alambique Envelhecida – Premium” no 1º Concurso de Cachaças de Alambique e Aguardentes de Cana Mineiras, promovido pela Emater-MG. O principal destaque da marca veio com a Divina Cana Júpiter, vencedora da categoria “Cachaça de Alambique Envelhecida Extra Premium” na mesma competição, disputada por mais de 220 cachaças e julgada por 24 especialistas sob critérios sensoriais.

Além dos rótulos premiados e das edições regulares, o alambique lançou produtos comemorativos vinculados à história da cidade, como a Divina 165, de tiragem limitada em 165 garrafas pelos 165 anos do município, e a Divina 168, criada em 2026 com inspiração no café e dedicada às mulheres produtoras de uma cooperativa local.

Esse reconhecimento despertou o interesse do público em conhecer de perto o local de fabricação das bebidas. Aos poucos, a propriedade passou a receber visitantes. Na experiência turística, Paulo conduz os passeios explicando as etapas do alambique, enquanto a esposa Regina assume a degustação harmonizada, preparada com produtos artesanais feitos por ela própria, como carnes, pães e doces.

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Franciele Brígida é comunicadora formada pelo Centro Universitário do Sul de Minas (UNIS). Atua como repórter multimídia na Itatiaia Sul de Minas desde 2023.

 

 

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