Vacina contra poliomielite: entenda o esquema completo de cinco doses no Brasil
Conheça o calendário de vacinação infantil contra a pólio, desde o nascimento até os 4 anos, e entenda por que manter a imunização é essencial

O Brasil não registra casos de poliomielite há 37 anos. Essa conquista histórica, mantida desde 1989, resulta diretamente de uma política consistente de vacinação que protege milhões de crianças brasileiras.
Mesmo com a eliminação da doença no território nacional, a vacinação continua sendo a principal estratégia para impedir o retorno do vírus. Enquanto houver circulação do poliovírus em qualquer parte do mundo, existe risco de reintrodução em países com coberturas vacinais insuficientes. Por isso, compreender o esquema vacinal completo e mantê-lo em dia representa proteção não apenas individual, mas coletiva.
O esquema vacinal completo contra poliomielite
Atualmente, o calendário brasileiro estabelece cinco doses obrigatórias da vacina inativada poliomielite (VIP) para imunização completa contra a doença.
As três primeiras doses formam o esquema primário e são aplicadas aos 2, 4 e 6 meses de vida. Esse conjunto inicial de doses é fundamental para iniciar a proteção do organismo infantil.
Após o esquema primário, duas doses de reforço completam a imunização. A primeira dose de reforço é administrada aos 15 meses de idade. A segunda dose de reforço deve ser aplicada aos 4 anos, garantindo proteção prolongada durante a infância.
Vacina inativada poliomielite: a tecnologia atual de proteção
Desde novembro de 2024, o esquema vacinal brasileiro passou a utilizar exclusivamente a vacina inativada poliomielite (VIP), aplicada por injeção.
A substituição das doses com vacina oral (a conhecida "gotinha") pela versão injetável baseou-se em novas evidências científicas sobre proteção contra a doença. A VIP oferece segurança comprovada e está disponível gratuitamente em toda a rede pública de saúde.
Para crianças imunocomprometidas, o segundo reforço com VIP já era indicado anteriormente e continua disponível nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) e na Rede de Imunobiológicos Especiais (RIE).
Quem deve receber a vacina e até quando
O público-alvo da vacinação contra poliomielite abrange todas as crianças menores de 5 anos. Aquelas que já completaram o esquema primário e receberam o primeiro reforço devem receber a segunda dose de reforço.
Crianças com esquema vacinal incompleto também necessitam ser imunizadas. Os serviços de saúde avaliam a situação individual de cada criança e orientam sobre as doses pendentes necessárias.
A vacinação pode ser realizada até os 4 anos, 11 meses e 29 dias de idade. Manter o calendário atualizado garante a proteção adequada durante toda a primeira infância.
Por que vacinar mesmo sem casos da doença no país
A certificação do Brasil como área livre da circulação do poliovírus foi conquistada em 1994, juntamente com todos os países das Américas. Essa conquista histórica resulta de décadas de esforço em vacinação.
Contudo, a ausência de casos no território nacional não elimina a necessidade de imunização. Atualmente, Paquistão e Afeganistão são os únicos países onde a poliomielite permanece endêmica.
Diversos países têm registrado circulação de poliovírus derivados de vacinas em regiões com baixas coberturas vacinais. Por isso, manter taxas elevadas de vacinação constitui a estratégia primordial para impedir o retorno da doença e proteger as novas gerações.
Onde encontrar a vacina gratuitamente
A vacina inativada poliomielite está disponível sem custo em todas as Unidades Básicas de Saúde do Brasil. Não há necessidade de comprovação de renda ou cadastro prévio.
Para facilitar o acompanhamento da vacinação infantil, o Ministério da Saúde disponibiliza a Caderneta Digital da Criança. O aplicativo permite registrar e consultar o histórico vacinal de forma rápida e segura.
Os pais e responsáveis podem procurar a unidade de saúde mais próxima com a carteira de vacinação da criança para orientações específicas sobre o calendário.
A importância das doses de reforço para imunidade duradoura
As doses de reforço cumprem papel essencial na manutenção da proteção ao longo do tempo. Elas são administradas após o esquema primário para induzir e prolongar a resposta imunológica.
No caso específico da poliomielite, os reforços garantem que a proteção iniciada nos primeiros meses de vida se estenda durante toda a infância. Essa estratégia mantém elevadas as barreiras de proteção coletiva contra o vírus.
Com cinco doses completas, a criança está adequadamente protegida contra as três formas do poliovírus selvagem, reduzindo drasticamente qualquer possibilidade de adoecimento.
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