Truques para desinchar o rosto funcionam? biomédico avalia métodos virais
Profissional explica efeitos reais de técnicas populares nas redes sociais

O inchaço facial é uma queixa comum nos consultórios e pode ter várias causas, como retenção de líquidos, alterações hormonais, noites mal dormidas, consumo excessivo de sal e processos inflamatórios da pele. Nas redes sociais, porém, cresce o número de vídeos que prometem reduzir o inchaço do rosto de forma rápida e caseira.
Segundo o biomédico Thiago Martins, mestre em Medicina Estética e professor universitário, algumas dessas técnicas podem até gerar efeito momentâneo, mas não tratam a causa do problema.
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Uma das práticas mais populares é a imersão do rosto em água com gelo, conhecida como ice dunking. Do ponto de vista fisiológico, o frio provoca vasoconstrição temporária, reduzindo o calibre dos vasos sanguíneos superficiais.
Isso pode diminuir de forma passageira o aspecto de inchaço leve, especialmente pela manhã ou após noites mal dormidas. O frio também pode dar sensação imediata de firmeza e viço.
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Apesar disso, o efeito é apenas temporário.
Não há modulação da drenagem linfática nem tratamento da causa do edema
Outra estratégia é a automassagem facial ou drenagem linfática caseira, feita com as mãos ou com acessórios como o gua sha. Diferentemente do gelo, essa prática tem base fisiológica mais consistente.
A drenagem linfática ajuda a estimular o retorno do líquido intersticial ao sistema linfático, podendo reduzir edemas leves, principalmente na região dos olhos e no contorno do rosto.
Quando feita corretamente, com movimentos suaves e direcionados, pode trazer melhora temporária do inchaço. No entanto, os resultados dependem da técnica e da regularidade.
Movimentos agressivos ou incorretos podem causar irritação, flacidez por tração repetitiva ou piora de quadros inflamatórios, como acne ativa. O especialista reforça que a drenagem não emagrece o rosto nem altera estruturas profundas.
Também são populares os rolos faciais gelados, geralmente de jade ou quartzo. A proposta combina massagem leve com o efeito do frio.
Nesse caso, o resfriamento gera efeito imediato e passageiro, enquanto o estímulo mecânico pode ajudar discretamente na mobilização de líquidos. Ainda assim, não há evidências científicas de benefício estrutural a longo prazo.
Outro ponto de atenção é a higiene do acessório. A limpeza inadequada pode favorecer contaminação bacteriana, especialmente em pessoas com acne ou pele sensível.
Thiago Martins ressalta que inchaço facial persistente não deve ser tratado apenas com soluções caseiras. O edema recorrente pode estar ligado a alterações hormonais, problemas de tireoide, intolerâncias alimentares, inflamações crônicas, uso de medicamentos ou hábitos inadequados.
Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.



