Teste do Pezinho: Minas Gerais se torna o 1º estado a triar 64 doenças; veja lista
Exame identifica patologias metabólicas, infecciosas e imunológicas logo nos primeiros dias de vida; lei que determinou a ampliação completa cinco anos em maio

Desde março de 2026, Minas Gerais consolidou sua posição como referência nacional em saúde pública ao expandir o Programa de Triagem Neonatal. O Teste do Pezinho oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado contempla 64 doenças, tornando-se o painel mais completo do país.
A ampliação, que segue a norma estadual de outubro de 2025, incluiu condições complexas como as mucopolissacaridoses (tipos IV-A, VI e VII) e o desdobramento da deficiência de 3-metilcrotonil-CoA carboxilase. Essas são doenças genéticas raras que, se não tratadas precocemente, podem causar danos irreversíveis a diversos órgãos. A lei que determinou a ampliação da triagem neonatal completa cinco anos no mês de maio.
Diagnóstico que salva vidas
O grande diferencial da nova política é a velocidade. Ao identificar patologias metabólicas, infecciosas e imunológicas logo nos primeiros dias de vida, o estado permite que o tratamento comece antes mesmo do surgimento dos sintomas.
"É uma política que transforma o cuidado desde o nascimento. Garantimos que todas as crianças tenham acesso ao teste ampliado para evitar complicações e garantir qualidade de vida", destacou o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti.
Estrutura e capilaridade
Para garantir que o exame chegue a todas as famílias, a SES-MG estruturou uma rede robusta:
- 4.109 pontos de coleta (UBS e maternidades).
- 1.100 testes realizados por dia, em média.
- Parceria com o Nupad/UFMG para análise laboratorial de alta precisão.
O investimento de R$ 64 milhões anuais cobre desde a coleta nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) até o transporte ágil das amostras e o acompanhamento especializado dos casos confirmados.
Guia rápido: o que os pais precisam saber
O Teste do Pezinho é um direito garantido por lei e fundamental para o desenvolvimento saudável do bebê. Confira os pontos principais:
- Quando fazer: o período ideal para a coleta é entre o 3º e o 5º dia de vida do recém-nascido.
- Onde realizar: o exame está disponível gratuitamente em postos de saúde e maternidades públicas de todos os 853 municípios de Minas Gerais.
- Como é feito: é realizada uma pequena punção no calcanhar do bebê para a coleta de gotas de sangue em um papel filtro especial.
- Em caso de alteração: se o teste apresentar qualquer irregularidade, a família é convocada imediatamente para exames confirmatórios. Caso a doença seja confirmada, o tratamento especializado pelo SUS começa sem demora.
A agilidade do sistema traz segurança para famílias como a de Bárbara dos Santos. Sua filha, Maria, precisou repetir o exame após uma alteração inicial. Embora o diagnóstico final tenha sido negativo, a rapidez do processo impressionou. "Saber que existe um acompanhamento e que há tempo para agir traz segurança para a gente", relata a dona de casa.
Desde 1993, o programa já realizou mais de 7 milhões de testes em Minas Gerais, confirmando quase 8,5 mil diagnósticos que mudaram o destino de milhares de crianças mineiras. Com a ampliação para 64 doenças, o estado reafirma seu compromisso de que nenhum recém-nascido fique para trás.
Veja a lista das doenças triadas em MG:
Acidemias Orgânicas
- Acidemia Metilmalônica (metilmalonil-CoA mutase) MUT
- Acidemia Metilmalônica (distúrbio da cobalanina) Cbl A, B
- Deficiência Congênita de Vitamina B12 por Carência Materna
- Acidemia Propiônica PROP
- Acidemia Isovalérica IVA
- Acidúria Glutárica Tipo 1 GA -1
- Deficiência de 3-Metilcrotonil CoA Carboxilase 1 - MCC1*
- Deficiência de 3-Metilcrotonil CoA Carboxilase 2 - MCC2*
- Acidúria 3-OH-3-Metilglutárica (def.HMG CoA-liase) HMG
- Deficiência de Beta-Cetiolase BKT
- Def. Holocarboxilase sintase MCT
Aminoacidopatias
- Fenilcetonúria Clássica
- Hiperfenilalaninemia por deficiência de BH4 (tetraidrobiopterina)
- Outras hiperfenilalaninemias
- Leucinose (doença da urina de xarope de bordo) MSUD
- Homocistinúria Clássica
- Hipermetioninemia
- Hiperglicinemia não cetótica
- Síndrome HHH (hiperornitinemia-hiperamonemia-homocitrulinúria) (Ciclo da Ureia)
- Acidúria Argininossuccínica (Ciclo da Ureia)
- Argininemia (Ciclo da Ureia)
- Citrulinemia tipo 1 (Ciclo da Ureia)
- Citrulinemia tipo 2 (Ciclo da Ureia)*
- Deficiência de Ornitina Transcarbamilase (OTC) (Ciclo da Ureia)
Imunodeficiências Primárias
- SCID e outras Imunodeficiências combinadas graves
- Leaky-SCID
- Agamaglobulinemia X Linked
- Outras condições de deficiências relacionadas aos linfócitos T
- Linfopenias de linfócitos B
- Imunodeficiências associadas a síndromes
Galactosemias
- Galactosemia clássica
- Deficiência de Galactoquinase (GALK)
- Deficiência de Uridil-difosfato -galactose - 4`-epimerase (GALE)
- Deficiência de galactose mutarotase (GALM)
Doenças Neurodegenerativas
Defeitos da Beta Oxidação dos Ácidos Graxos
- Deficiência Primária de Carnitina CUD
- Deficiência de MCAD
- Deficiência de LCHAD
- Deficiência de Proteína Trifuncional TFP
- Deficiência de VLCAD
- MADD (Acidemia Glutárica Tipo II ou Deficiência de Múltiplas carboxilases)
- Deficiência de Carnitina Palmitoiltransferase tipo I (CPTI)
- Deficiência de Carnitina Palmitoiltransferase tipo II (CPTII)
Doenças Infecciosas
- Toxoplasmose Congênita
Doenças lisossômicas
- Mucopolisacaridose Tipo I
- Mucopolissacaridose Tipo II (Síndrome de Hunter)
- Mucopolissacaridose tipo IVa; *
- Mucopolissacaridose tipo VI; *
- Mucopolissacaridose tipo VII; *
- Glicogenose Tipo II (Doença de Pompe)
- Deficiência de Esfingomielinose A (doença de Niemann-Pick A)
- Deficiência de Esfingomielinose B (doença de Niemann-Pick B)
- Deficiência de Alpha-galactosidase A (doença de Fabry)
- Deficiência de Glucocerebrosidase (doença de Gaucher)
Doenças Endócrinas
- Hipotireoidismo Congênito
- Hiperplasia Adrenal Congênita
Hemoglobinopatias
- Anemia Falciforme SS
- Hemoglobinopatia S/Beta Talassemia
- Hemoglobinopatia SC
- Alfa Talassemias
- Outras Hemoglobinopatias
Outras doenças
- Fibrose Cística
- Deficiências de Biotinidase
- Adrenoleucodistrofia Ligada ao X
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



