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Mais de 330 mil crianças são internadas por quedas em dez anos; Minas Gerais é o 2º estado com mais casos

Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que a maioria dos acidentes na infância pode ser evitada

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Adriana Brito, presidente do Departamento Científico da Sociedade Brasileira de Pediatria
Adriana Brito, presidente do Departamento Científico da Sociedade Brasileira de Pediatria • Fabiano Frade/Itatiaia

Mais de 330 mil crianças com menos de 10 anos foram internadas em decorrência de quedas no Brasil entre 2016 e 2025. Desse total, cerca de 33,4 mil internações foram registradas em Minas Gerais, que ocupa o segundo lugar no ranking nacional, atrás apenas de São Paulo. O número representa aproximadamente 10% das hospitalizações contabilizadas no país no período.

Os dados chamam a atenção para um problema de saúde pública que, muitas vezes, é tratado como um acidente banal, mas pode provocar fraturas, traumatismos graves e até mortes. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), mais de 90% dos acidentes na infância podem ser prevenidos com medidas simples de proteção.

A presidente do Departamento Científico da Sociedade Brasileira de Pediatria, Adriana Brito, destaca que a supervisão de adultos é fundamental para reduzir os riscos, especialmente entre crianças menores de 10 anos. “Sabemos que, abaixo dos 10 anos, as crianças devem ser supervisionadas nas suas brincadeiras, nas suas atividades do dia a dia”, alerta a médica.

De acordo com a especialista, os números de internações não representam a totalidade dos casos, pois não incluem os atendimentos realizados na rede privada. Além disso, o levantamento de hospitalizações não abrange os óbitos. Segundo os dados mencionados pela médica, foram registradas 120 mortes por quedas entre crianças no período de dez anos.

Acidentes dentro de casa exigem atenção dos responsáveis

Embora os acidentes também ocorram em escolas, clubes e espaços de lazer, grande parte das quedas acontece dentro de casa, ambiente em que os responsáveis geralmente esperam que as crianças estejam protegidas. Entre os principais cuidados, Adriana Brito recomenda nunca deixar bebês sozinhos em superfícies elevadas, como camas, trocadores e cadeirões de alimentação. Nos cadeirões, o cinto de segurança deve ser utilizado corretamente.

Adriana Brito também orienta a instalação de portões de proteção na parte superior e inferior das escadas, além de grades ou telas de segurança em janelas, sacadas e vãos de escadas. Pisos molhados ou escorregadios também exigem atenção, principalmente quando as crianças estão correndo ou brincando.
Outro alerta é sobre o uso de andadores infantis. Segundo a pediatra, o equipamento é contraindicado em qualquer faixa etária, devido aos riscos de acidentes. “Então, lembrar que ele é contraindicado em qualquer faixa etária”, reforça.

Nas atividades recreativas, como andar de bicicleta, patins, skate ou patinete, é importante utilizar os equipamentos de proteção adequados para cada prática.

Quedas podem provocar traumatismos graves

Quando uma criança sofre uma queda, os responsáveis devem observar as circunstâncias do acidente e procurar avaliação médica, especialmente quando houver suspeita de lesão grave. Segundo Adriana Brito, a gravidade depende de fatores como a altura da queda, a posição em que a criança atingiu o chão e a superfície do impacto. Uma queda pode provocar desde escoriações até fraturas e traumatismo cranioencefálico. “É muito importante que essa criança seja levada para um atendimento para ser avaliada de forma minuciosa”, orienta a especialista.

A pediatra também chama a atenção para os acidentes envolvendo berços. Por volta dos seis meses, quando o bebê começa a sentar, os responsáveis devem avaliar a necessidade de baixar o estrado e o colchão, reduzindo o risco de quedas à medida que a criança ganha mobilidade.

Parques e playgrounds também exigem cuidados

A prevenção não deve se limitar ao ambiente doméstico. Parques de diversões, clubes, escolas e playgrounds precisam oferecer condições adequadas de segurança.
Antes de permitir que a criança utilize um brinquedo, os responsáveis devem observar as condições de conservação, a presença de dispositivos de proteção e a adequação do equipamento à idade e ao desenvolvimento infantil.

Em playgrounds, por exemplo, pisos que amortecem impactos ajudam a reduzir a gravidade das lesões em caso de queda. A supervisão de um adulto continua necessária mesmo em ambientes destinados às crianças. Para Adriana Brito, o pediatra também tem um papel importante na prevenção, pois pode orientar os responsáveis de acordo com a idade e as habilidades da criança, além de identificar riscos nos ambientes que ela frequenta.

“Esse pediatra vai mapear junto com os pais os ambientes que a criança frequenta, identificar os riscos e dar as orientações para a prevenção de acidentes específicos para aquela faixa etária”, conclui. A orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria é que a prevenção faça parte da rotina das famílias. A supervisão constante, as adaptações nos ambientes e o uso correto de equipamentos de segurança são medidas fundamentais para reduzir o número de acidentes e proteger a saúde das crianças.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.

 

 

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