Crianças mais pobres podem sofrer os maiores danos das mudanças climáticas, alerta Sociedade Brasileira de Pediatria
Especialista da Sociedade Brasileira de Pediatria alerta para problemas respiratórios, doenças transmitidas por mosquitos e impactos na saúde mental; crianças mais pobres estão entre as mais vulneráveis

Calor extremo, fumaça de queimadas, enchentes e mudanças bruscas de temperatura. Os efeitos das mudanças climáticas já representam um desafio para a saúde infantil e vão muito além dos problemas respiratórios. O alerta é do médico Rinaldo Tavares, presidente do Departamento Científico de Toxicologia e Saúde Ambiental da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), durante o 42º Congresso Brasileiro de Pediatria. Segundo o especialista, as alterações ambientais já fazem parte da realidade e exigem preparo dos profissionais de saúde e do poder público para reduzir os impactos sobre as crianças.
“Já não é mais um alerta, já não é mais uma coisa do futuro. Estamos vivendo isso atualmente. A conta ambiental chegou e a gente tem que estar preparado para atender às necessidades e mitigar as consequências na saúde das crianças”, afirma.
Embora a poluição do ar, a fumaça das queimadas e as mudanças na umidade favoreçam problemas respiratórios e doenças alérgicas, os efeitos podem atingir diferentes áreas da saúde infantil. O médico cita o aumento de doenças transmitidas por vetores, problemas gastrointestinais relacionados à falta de água potável e alimentos, além de consequências neurológicas e psicológicas.
Enchentes e outros eventos extremos também podem dificultar o acesso aos serviços de saúde e comprometer a vacinação, especialmente quando famílias enfrentam problemas de transporte ou precisam deixar suas casas. A interrupção das aulas é outro efeito que pode afetar a rotina e o desenvolvimento das crianças.
Crianças mais pobres estão entre as mais vulneráveis
Os impactos das mudanças climáticas não atingem todas as crianças da mesma forma. Segundo Rinaldo Tavares, aquelas que vivem em comunidades vulneráveis e em condições socioeconômicas desfavoráveis estão mais expostas às consequências de enchentes, tempestades e ondas de calor. “A perda da residência, os alagamentos, as tempestades, as ondas de calor... As populações mais vulneráveis são as que sofrerão, muito provavelmente, os maiores danos, e a gente tem que estar preparado para tratar isso”, destaca.
O especialista defende políticas públicas para preparar as cidades e os serviços essenciais para os eventos climáticos extremos. Entre as medidas necessárias, ele cita a adaptação das escolas, a criação de estruturas de abrigo, alternativas de transporte e a manutenção do atendimento nas unidades de saúde e nos serviços de emergência durante as catástrofes.
Orientação aos pais deve começar antes dos eventos extremos
O acompanhamento de rotina também é importante para proteger a saúde das crianças. De acordo com o médico, consultas em postos de saúde e consultórios pediátricos devem incluir orientações sobre como agir em períodos de calor intenso, baixa umidade do ar e piora da qualidade do ar.
A recomendação é que as famílias recebam informações preventivas antes da ocorrência de temporais, enchentes ou ondas de calor, para saber como reduzir os riscos e quando procurar atendimento médico. Para Rinaldo Tavares, a preparação precisa envolver profissionais de saúde, famílias e poder público. O objetivo é diminuir os danos à saúde infantil diante de um cenário em que os efeitos das mudanças climáticas já fazem parte do cotidiano.
Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.



