Já ouviu falar em gaslighting médico? Especialista explica termo
O gaslighting médico é tema de livro da advogada Victória Carneiro, que pesquisa o assunto desde 2019

Escritora do livro “Gaslighting médico: entre a vida e a morte”, Victória Carneiro, acredita que as mulheres são mais propensas a terem seus sintomas invalidados em tratamentos de saúde. A advogada, que é especialista em direito de saúde, conta que começou a pesquisar o gaslighting médico quando teve contato com o caso de uma paciente que passou por várias internações psiquiátricas sem necessidade.
O que é gaslighting médico?
O termo ‘gaslighting’ é muito conhecido no âmbito das relações íntimas e diz respeito a uma invalidação dos pensamentos e sentimentos da pessoa que é vítima. É bastante ligado, por exemplo, a situações de violência entre casais.
A escritora ressalta que sua atuação no campo médico está diretamente ligada à relação de poder entre médico e paciente. Victória Carneiro explica que a prática muitas vezes acontece em razão do médico querer impor a própria vontade no atendimento, no sentido de negligenciar os sintomas e a experiência do paciente.
“O gaslighting médico é a prática de negligenciar um sintoma do paciente, não querer ouvi-lo. Quando o médico, a partir da posição dele, de conhecimento técnico da situação, se coloca acima da experiência do paciente, não dá ouvidos para o paciente e nisso a gente tem vários erros de diagnóstico”, explica a advogada.
Manipulação
Victória Carneiro também detalha que outra situação comum do gaslighting médico é a manipulação do paciente para, por exemplo, fazer um parto cesariana e não o normal. “A gente também tem uma questão voltada à manipulação do paciente, que a gente consegue ver em várias especialidades médicas, mas especialmente na obstetrícia, no contexto do parto, do nascimento e dentro da saúde mental, na psiquiatria”
A autora cita várias questões que estão ligadas à prática do gaslighting médico, como a necessidade de fazer uma avaliação muito rápida e o estigma associado às mulheres. Esse último, Victória afirma que possui uma ligação direta com uma ‘visão masculina’ do corpo feminino.
Para não ser vítima de uma situação assim, a advogada enfatiza a necessidade de estar atenta ao próprio corpo e, se necessário, procurar uma segunda opinião. No âmbito judicial, Victória Carneiro também ressalta que, caso algum paciente tenha vivido alguma situação de gaslighting médico, é possível procurar um advogado.
Jornalista formada pelo UniBH, é apaixonada pelo dinamismo do factual e pelo poder das histórias bem narradas. Com trajetória que inclui passagens pelo Sistema Faemg Senar, jornal Estado de Minas e g1 Minas, possui experiência em múltiplas plataformas e linguagens. Atualmente, integra a redação da Rádio Itatiaia, onde acompanha os principais acontecimentos de Minas Gerais, do Brasil e do mundo



