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Internação do pai de Ana Paula Renault chama atenção para desidratação em idosos

Médica geriatra Simone de Paula Pessoa Lima alertou sobre os sinais e tratamento da desidratação em idosos

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Pai de Ana Paula Renault
Pai de Ana Paula Renault • Reprodução | Redes sociais

Gerardo Henrique Machado Renault, pai de Ana Paula Renault, de 96 anos, foi internado no Hospital Felício Rocho, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, com um quadro de desidratação. O diagnóstico foi divulgado pela equipe da jornalista, que está confinada no BBB 26.

Em conversa com a Itatiaia, Simone de Paula Pessoa Lima, médica geriatra da empresa especializada em home care Saúde no Lar, explicou que a desidratação é comum em pessoas idosas devido a alterações fisiológicas do envelhecimento.

Entre os fatores mencionados pela profissional estão a redução da sensação de sede, a menor capacidade dos rins de conservar água e o maior uso de medicamentos como diuréticos.

"Além disso, fatores como demência, limitações físicas e dependência de cuidadores contribuem para a ingestão inadequada de líquidos. O músculo é um importante reservatório de água no corpo. Logo, o idoso sarcopênico (com pouca massa muscular) tem uma reserva hídrica ainda menor, tornando-se 'desidratável' muito mais rápido que um jovem", completou.

Sinais de alerta

Simone destacou que os sinais de alerta podem ser discretos e devem ser bem observados por familiares e cuidadores, visto que muitos idosos não relatam os sintomas. É importante ressaltar que muitos não referem sede, mesmo já estando desidratados.

"Entre os sinais estão confusão mental súbita, sonolência, fraqueza, tontura, quedas, boca seca, diminuição do volume urinário, com urina mais escura (cor de guaraná ou chá-mate), queda da pressão arterial e aumento da frequência cardíaca", listou.

Perigos

De acordo com a médica, o quadro pode desencadear outros problemas de saúde. "A desidratação pode levar a uma série de complicações graves no idoso, incluindo insuficiência renal aguda, alterações nos níveis de eletrólitos, como o sódio, aumento do risco de quedas e fraturas, piora de doenças cardiovasculares e desenvolvimento de delirium, que é um estado de confusão mental aguda frequentemente confundido com demência", explicou.

Segundo ela, em situações mais graves, o quadro pode evoluir para instabilidade hemodinâmica, choque e até óbito, especialmente em idosos frágeis ou com múltiplas doenças crônicas.

Tratamento

O tratamento depende da gravidade da desidratação. Nos casos leves a moderados, pode ser feito com hidratação oral orientada, utilizando água e, quando necessário, soluções de reidratação. No entanto, a profissional salientou que casos mais graves necessitam de internação e medicação venosa.

"Em casos moderados a graves, é necessária a hidratação venosa em ambiente hospitalar, com monitoramento rigoroso da função renal e dos eletrólitos. Também é fundamental identificar e tratar a causa da desidratação, além de revisar medicamentos que possam ter contribuído para o quadro", disse.

Simone relatou que a internação nem sempre é necessária, mas, quando ocorre, costuma durar entre dois e sete dias, podendo variar conforme a gravidade do caso e a presença de complicações.

Condições subjacentes

A geriatra explicou ainda que a desidratação na pessoa idosa pode ser consequência de uma condição clínica subjacente, ou seja, pode ser sintoma de alguma outra doença, como diabetes, Alzheimer, insuficiência cardíaca e até depressão.

"Entre as causas mais comuns estão o diabetes mellitus descompensado, que aumenta a perda de líquidos pela urina; quadros de demência e doença de Alzheimer, nos quais o paciente pode esquecer de beber água; infecção urinária, que pode cursar com febre e redução da ingestão; insuficiência cardíaca, especialmente em pacientes que usam diuréticos; doença renal crônica; e depressão, que pode reduzir o apetite e a ingestão hídrica", explicou.

Alerta

Para a médica, a desidratação no idoso é frequentemente subestimada e pode se instalar rapidamente, especialmente em indivíduos frágeis. Muitas vezes, o primeiro sinal não é físico evidente, mas sim uma mudança comportamental, como confusão ou apatia.

"A prevenção é a medida mais eficaz e deve incluir a oferta regular de líquidos ao longo do dia, mesmo na ausência de sede, além de vigilância por parte de familiares e cuidadores", relatou. Simone sugere:

  • Espalhar moringas/garrafas pela casa;
  • Utilizar alimentos ricos em água (melancia, gelatina, sopas frias);
  • O uso de alarmes ou aplicativos para cuidadores.

A médica também alertou que "esperar a pessoa idosa pedir água é um erro comum". "Situações como calor excessivo ou doenças agudas exigem atenção redobrada. Sempre que houver suspeita, a avaliação médica deve ser realizada prontamente, pois o tratamento precoce reduz significativamente o risco de complicações", concluiu.

 

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André Viana é jornalista, formado pela PUC-MG. Já trabalhou como redator e revisor de textos, produtor de pautas e conteúdos para rádio e TV, social media, além de uma temporada no marketing.

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Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‶NaTelinha” e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.