Imposto sobre ultraprocessados pode evitar até 237 mil mortes no Brasil, aponta estudo
Pesquisa indica que aumento na tributação desses alimentos teria potencial para reduzir casos de doenças crônicas associadas ao excesso de peso nas próximas duas décadas

Taxar alimentos ultraprocessados pode se tornar uma das medida eficaz para reduzir doenças crônicas e mortes relacionadas ao excesso de peso no Brasil. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) estima que a adoção de tributos sobre esses produtos poderia evitar até 1,8 milhão de novos casos de doenças e cerca de 237 mil mortes até 2044.
A projeção parte de um cenário preocupante. Mantidas as tendências atuais, o percentual de adultos brasileiros com sobrepeso deve saltar dos atuais 57% para 75% nas próximas duas décadas. Nesse período, o excesso de peso estaria associado ao surgimento de aproximadamente 10 milhões de novos casos de enfermidades como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, além de mais de 1 milhão de mortes.
Para avaliar possíveis estratégias de enfrentamento, os pesquisadores simularam diferentes níveis de taxação sobre os ultraprocessados, categoria que inclui produtos industrializados com grandes quantidades de açúcar, gordura, sal e aditivos químicos utilizados para aumentar a durabilidade e a palatabilidade dos alimentos. Os resultados indicam que uma tributação de 10% poderia evitar cerca de 526 mil novos casos de doenças crônicas e 71 mil mortes. Se a taxa chegasse a 20%, o número de casos evitados subiria para 861 mil e o de mortes para 115 mil. No cenário mais rigoroso, com aumento de 50% no preço desses produtos, seriam prevenidos aproximadamente 1,8 milhão de adoecimentos e 237 mil óbitos relacionados ao excesso de peso.
O estudo também aponta que a tributação ajudaria a conter o avanço do sobrepeso na população. Sem intervenção, três em cada quatro adultos brasileiros poderão estar acima do peso considerado saudável em 2044. Com uma taxação de 50%, essa proporção cairia para cerca de 50% da população. Especialistas ouvidos pela reportagem da Revista Pesquisa FAPESP, entretanto, alertam que a medida não resolveria o problema sozinha. Segundo os pesquisadores, políticas complementares, como incentivo ao consumo de alimentos in natura, educação alimentar e regulação da publicidade de produtos não saudáveis, seriam fundamentais para ampliar os resultados.
O debate ocorre em meio à implementação da reforma tributária brasileira. A partir de 2027, o chamado imposto seletivo deverá incidir sobre bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos industrializados. O estudo da Unifesp sugere, porém, que ampliar a tributação para todo o conjunto de alimentos ultraprocessados poderia gerar impactos ainda mais expressivos na saúde pública.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.



