Guia de segurança para esmaltes em gel e cuidados essenciais com as unhas
Entenda os riscos das substâncias químicas nos esmaltes em gel, como proteger sua saúde e quais cuidados adotar ao fazer as unhas

Este guia reúne orientações de dermatologistas sobre os principais perigos dos esmaltes em gel, desde componentes químicos problemáticos até danos mecânicos às unhas. Você aprenderá a identificar produtos seguros e adotar práticas que protegem sua saúde sem abrir mão da beleza.
Substâncias químicas problemáticas em esmaltes em gel
Dois componentes específicos utilizados em esmaltes em gel foram categorizados como CMR 1B na Europa: o TPO (óxido de difenilfosfina) e o DMPT (dimetiltolilamina ou DMTA). Essa classificação agrupa substâncias consideradas cancerígenas, mutagênicas ou tóxicas para a reprodução com base em evidências obtidas em estudos com animais.
Segundo a dermatologista Mariana Hafner, do Einstein Hospital Israelita, **"o TPO foi classificado como tóxico para a reprodução e o DMPT, como potencialmente cancerígeno"**. Essa categorização indica risco presumido à saúde humana, embora os efeitos ainda não tenham confirmação em estudos clínicos com pessoas.
As pesquisas em roedores utilizaram dosagens elevadas e períodos prolongados de exposição, cenário diferente do uso cotidiano em humanos. Por esse motivo, mais estudos são necessários para estabelecer relação direta entre essas substâncias e danos à saúde. Ainda assim, autoridades sanitárias optam por medidas preventivas diante dos possíveis riscos.
Como funcionam os fotoiniciadores e seus resíduos
O TPO e o DMPT atuam como fotoiniciadores nos esmaltes em gel. Essas substâncias reagem à luz ultravioleta ou LED para endurecer o produto, garantindo o acabamento resistente característico dessa técnica.
Esse processo recebe o nome de fotopolimerização. Quando a aplicação não ocorre adequadamente, podem permanecer resíduos nas unhas. Esses resquícios entram em contato direto com a pele ou podem ser inalados durante o procedimento.
Riscos da exposição crônica aos componentes químicos
O uso esporádico de esmaltes em gel apresenta risco baixo. A situação muda significativamente com a exposição crônica, especialmente para profissionais que manuseiam esses produtos com frequência.
A dermatologista Glauce Eiko, da Sociedade Brasileira de Dermatologia-Regional São Paulo (SBD), alerta que a exposição continuada **"pode levar a efeitos cumulativos no organismo, aumentando o risco de mutações celulares, que elevam a probabilidade de câncer, e afetar o sistema hormonal, prejudicando a fertilidade"**.
Essa acumulação no organismo representa preocupação maior para manicures e profissionais de salões de beleza, que lidam diariamente com grandes volumes desses produtos.
Danos mecânicos às unhas causados pela técnica
A esmaltação em gel pode comprometer a estrutura das unhas além dos riscos químicos. As lâminas ungueais, parte visível das unhas, tornam-se mais finas e quebradiças com o uso frequente.
Esse enfraquecimento ocorre principalmente pela remoção agressiva do esmalte. O processo de retirada do produto danifica a superfície das unhas, comprometendo sua resistência natural ao longo do tempo.
Exposição à radiação ultravioleta durante a secagem
A secagem dos esmaltes em gel exige lâmpadas UV ou LED. Embora as doses sejam pequenas em cada sessão, a exposição repetida acumula radiação ao longo do tempo.
Esse acúmulo pode aumentar discretamente o risco de desenvolvimento de câncer de pele. O perigo se concentra nas mãos, área constantemente exposta durante os procedimentos de secagem.
Dermatite alérgica de contato por acrilatos
Os esmaltes em gel contêm acrilatos em sua composição, substâncias que podem provocar reações alérgicas. A dermatite alérgica de contato é uma das manifestações mais comuns desse tipo de sensibilização.
As lesões podem se restringir à região das unhas ou se espalhar para outras áreas do corpo. A intensidade e localização das reações variam conforme a sensibilidade individual de cada pessoa.
Como escolher salões de beleza seguros
A ventilação adequada do ambiente é fundamental para evitar exposição excessiva a vapores e odores químicos. Salões bem ventilados dispersam os compostos voláteis liberados durante a aplicação dos produtos.
Verifique se os profissionais utilizam equipamentos de proteção individual, como máscaras e luvas. Esses itens protegem tanto quem aplica quanto quem recebe o procedimento.
Desconfie de produtos sem rótulo, sem informações do fabricante ou com preços muito abaixo do mercado. Esses sinais podem indicar origem duvidosa ou composição inadequada.
Identificação de substâncias problemáticas nos rótulos
Adquirir o hábito de ler os componentes listados nas embalagens é medida essencial de segurança. As substâncias TPO e DMPT podem aparecer com diferentes nomenclaturas nos rótulos.
Procure por estas identificações antes de comprar ou utilizar esmaltes em gel:
- TPO (óxido de difenilfosfina)
- DMPT ou DTMA (dimetiltolilamina)
A presença de qualquer uma dessas substâncias indica produto que apresenta os riscos descritos anteriormente. Opte por alternativas que não contenham esses componentes em sua formulação.
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