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Falta de saneamento básico no Brasil leva a 344 mil internações e a sobrecarga do SUS

Alta desses serviços para a população é um grande fator que contribui para doenças porque os brasileiros acabam tendo contato com água e solo contaminados e outros cenários de risco

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Quase 30% dos indígenas no Brasil não têm saneamento básico onde moram, diz IBGE | CNN Brasil
Quase 30% dos indígenas no Brasil não têm saneamento básico onde moram, diz IBGE | CNN Brasil • Créditos: CNN Brasil

Um relatório da Instituição Trata Brasil, divulgado nesta quarta-feira (19), apontou que em 2024 houve 344 mil internações por Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI). Segundo estimativas da organização, caso o saneamento no país fosse universalizado haveria uma redução de mais de 86 mil internações.

Dados do DATASUS do Ministério da Saúde apontam que, em geral, as Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado impactam mais idosos e crianças devido a maior vulnerabilidade desse público. Em 2024, crianças de 0 a 4 anos e idosos representaram 43,5% das internações por DRSAI. Foram registradas 70 mil internações entre crianças de 0 a 4 anos (20% do total) e 80,9 mil internações entre idosos com mais de 60 anos (23,5% do total).

Saneamento básico

Em geral, o saneamento básico é definido como o conjunto dos serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, drenagem urbana, manejos de resíduos sólidos e de águas pluviais nas cidades. Conforme dados da instituição, em 2024 quase 32 milhões de pessoas são impactadas com a falta de acesso à água potável e 90 milhões não possuem acesso à coleta de esgoto.

A falta desses serviços para a população é um grande fator que contribui para doenças porque essas pessoas acabam tendo contato com água e solo contaminados, além viverem em ambientes onde há proliferação de insetos vetores de doenças.

Além do grande número de internações, a falta de saneamento implica em custos significativos para o SUS. Embora o estudo não informe o gasto anual total da saúde pública com DRSAI, ele calcula o custo médio por internação em 2024, que foi de R$ 506,32. No entanto, o relatório também projeta que a universalização do saneamento poderia gerar uma economia de R$ 49,928 milhões por ano somente com a redução de 86.760 internações.

O que são as Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado?

As Doenças Relacionadas ao Saneamento Ambiental Inadequado (DRSAI) são condições de saúde que, apesar do nome extenso, são bastante conhecidas no Brasil. O estudo detalha essas doenças em cinco categorias principais:

Doenças de transmissão feco-oral: São doenças transmitidas pela ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes. Exemplos incluem diarreias, salmonelose, cólera, amebíase, febre tifoide e hepatite A. Em 2024, este grupo representou 47,6% das internações por DRSAI, totalizando 163,8 mil casos.

Doenças transmitidas por inseto vetor: São doenças propagadas por insetos que se reproduzem ou picam em ambientes com saneamento inadequado. Exemplos incluem dengue, febre amarela, malária e doença de Chagas. Em 2024, este foi o grupo com o maior número de internações, representando 49% do total, com 168,7 mil casos, sendo a dengue a principal causa (164,5 mil).

Doenças transmitidas através do contato com a água: São infecções adquiridas pelo contato direto com água contaminada. Exemplos incluem esquistossomose e leptospirose. Em 2024, foram registradas 2.144 internações devido a essas doenças.

Doenças relacionadas com a higiene: São condições de saúde que podem ser prevenidas com hábitos de higiene adequados, frequentemente prejudicados pela falta de saneamento. Exemplos incluem conjuntivite e dermatofitoses. Em 2024, houve 9.022 internações relacionadas a essas doenças.

Geohelmintos e teníases: São infecções causadas por vermes parasitas transmitidos pelo solo ou pela ingestão de carne contaminada, condições frequentemente ligadas à falta de saneamento. Exemplos incluem ascaridíase e cisticercose. Em 2024, foram registradas 739 internações por geohelmintos e teníases.

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Ana Luisa Sales é jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na Itatiaia desde 2022, já passou por empresas como ArcelorMittal e Record TV Minas. Atualmente, escreve para as editorias de cidades, saúde e entretenimento