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Antidepressivo engorda? Psiquiatra explica relação entre remédios e peso

Médica alerta que ganho de peso durante tratamento com antidepressivos depende de fatores diversos

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Alguns pacientes deixam de tomar antidepressivos com medo de engordar. Porém, o ganho de peso nem sempre está associado ao uso do medicamento. A médica psiquiatra Cintia Braga explica que "essa relação é mais complexa e depende de diversos fatores".

"Alguns antidepressivos podem, sim, favorecer o aumento do apetite, retenção de líquidos ou redução do gasto energético, o que contribui para o ganho de peso em parte dos pacientes. Outros, porém, apresentam pouco impacto nesse aspecto ou até podem levar à redução do apetite em determinadas fases do tratamento", afirma a profissional.

Ela lembra que a depressão, em determinados casos, pode ser a responsável por alterações no peso. "Existem pacientes que emagrecem durante episódios depressivos por perda de apetite, enquanto outros desenvolvem compulsão alimentar, aumento da ansiedade e maior consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcar".

Com o avanço do tratamento e a melhora dos sintomas, os comportamentos alimentares tendem a ser normalizados. “Quando o tratamento começa e os sintomas emocionais melhoram, muitas vezes o organismo retoma padrões alimentares mais regulares, o que pode ser interpretado como um efeito direto do medicamento. Por isso, não é correto afirmar que todo antidepressivo ‘engorda’ ou que o ganho de peso acontece da mesma forma para todas as pessoas”.

A psiquiatra alerta para a interrupção no tratamento. "Interromper o uso da medicação por medo de engordar pode trazer consequências graves para a saúde mental. O tratamento psiquiátrico deve sempre ser individualizado e acompanhado por um médico, que avaliará não apenas os sintomas emocionais, mas também o histórico clínico, a qualidade do sono, o nível de ansiedade, a alimentação, a prática de atividade física e possíveis efeitos colaterais. Atualmente, existem diferentes classes de antidepressivos, e muitas vezes é possível ajustar doses ou trocar a medicação quando há impacto importante no peso ou na qualidade de vida."

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.