Excesso de telas: entenda o que é o 'analfabetismo motor'
Médicos alertam para aumento de crianças com dificuldades em correr, pular e coordenar movimentos

Uma mudança silenciosa no comportamento infantil começou a chamar a atenção de pediatras e professores de educação física: crianças que dominam celulares e aplicativos, mas apresentam dificuldades para executar movimentos considerados básicos para a idade.
O fenômeno recebeu um nome que vem ganhando espaço entre especialistas: 'analfabetismo motor'. O termo descreve crianças que não desenvolveram adequadamente habilidades corporais fundamentais durante o crescimento, como correr, saltar, equilibrar o corpo, agachar ou coordenar braços e pernas.
Em entrevista ao Infobae, o pediatra Sergio Snieg, integrante do Comitê Nacional de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Argentina de Pediatria, relatou que o tema passou a surgir com frequência em escolas e atividades esportivas. Segundo ele, professores vêm observando um aumento de alunos com movimentos mais limitados e menor desenvoltura física do que em gerações anteriores. Em uma das declarações destacadas pela reportagem, o médico resumiu o cenário: Têm celulares, mas não sabem flexionar os joelhos".
Segundo o especialista, a mudança está diretamente ligada ao avanço do tempo de exposição às telas e à redução das experiências corporais na infância. Brincadeiras espontâneas, jogos ao ar livre e atividades físicas passaram a disputar espaço com celulares, tablets e outras formas de entretenimento digital.
A preocupação vai além da coordenação motora. O alerta é que o corpo e o cérebro infantis se desenvolvem em conjunto e dependem do movimento para consolidar competências importantes ao longo do crescimento. Quando a rotina se torna excessivamente sedentária, parte desse aprendizado pode ser comprometida.
Especialistas observam que o problema aparece justamente em uma fase considerada estratégica para o desenvolvimento infantil, quando o corpo deveria ampliar repertórios motores por meio do brincar, da exploração do ambiente e da atividade física cotidiana.
Como resposta a esse problema, a recomendação apresentada na reportagem é recuperar espaços de movimento na rotina das crianças. Isso inclui incentivar brincadeiras presenciais, reduzir períodos prolongados diante das telas e ampliar oportunidades para atividades físicas compatíveis com cada faixa etária.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



