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Estudo revela como obesidade do pai pode afetar metabolismo dos filhos; entenda

Pesquisa identifica mecanismo biológico transmitido pelo espermatozóide e aponta possibilidade de reversão com perda de peso

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Resultados reforçam a importância da saúde do pai antes da concepção • Reprodução | Pexels

Um estudo divulgado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo revelou como a obesidade paterna pode influenciar diretamente o metabolismo dos filhos, aumentando o risco de doenças como diabetes tipo 2. 

A pesquisa foi publicada na revista científica Nature Communications e contou com a participação de cientistas brasileiros.

De acordo com os pesquisadores, a chamada “herança metabólica” ocorre por meio do espermatozoide. Experimentos com camundongos mostraram que filhotes de pais obesos nascem com peso normal, mas desenvolvem, ao longo do tempo, alterações como intolerância à glicose e resistência à insulina, um quadro descrito como “disfunção metabólica silenciosa”. 

O mecanismo envolve pequenas moléculas conhecidas como microRNAs, especialmente o chamado let-7. Em indivíduos obesos, essas substâncias aparecem em excesso no tecido adiposo e também no esperma, sendo transferidas ao embrião no momento da fecundação. 

Dentro do embrião, esse excesso interfere na produção de uma enzima essencial, a DICER, responsável pela regulação genética. Como consequência, há prejuízos no funcionamento das mitocôndrias, as estruturas que produzem energia nas células. Isso entao altera de forma permanente o metabolismo da prole. 

A pesquisa foi coordenada pelo cientista Jan-Wilhelm Kornfeld, da Universidade do Sul da Dinamarca, e contou com a participação de pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas, liderados por Marcelo Mori.

Outro dado relevante é que os efeitos parecem ser mais intensos em descendentes do sexo masculino, embora também possam afetar fêmeas em menor grau. 

Apesar dos impactos, os cientistas destacam que o processo pode ser reversível. Nos testes, quando os machos obesos perderam peso, os níveis das moléculas associadas ao problema diminuíram tanto no tecido adiposo quanto no esperma. Como resultado, os filhotes nasceram sem alterações metabólicas. 

A descoberta também foi parcialmente validada em humanos. Homens com obesidade severa apresentaram níveis elevados dessas moléculas no sêmen, mas, após mudanças no estilo de vida por seis meses, houve redução significativa. 

Segundo os pesquisadores, os resultados reforçam a importância da saúde do pai antes da concepção. O estudo sugere que fatores como alimentação, peso e estilo de vida masculino podem ter impacto direto na saúde das futuras gerações.

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Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.