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Diagnóstico de Carol Ribeiro: Esclerose múltipla pode ser confundida com menopausa?

Em conversa com à Itatiaia, especialistas discutiram os sintomas

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Carol Ribeiro
Modelo Carol Ribeiro foi diagnosticada com esclerose múltipla • Reprodução/ Redes sociais

A modelo Carol Ribeiro, de 45 anos, diagnosticada com esclerose múltipla - uma doença incurável que afeta o sistema nervoso central - contou que sentiu sintomas semelhantes aos da menopausa.

No relato que anunciou o diagnóstico, durante um evento, Carol descreveu que sentiu 'calorões' acompanhado de suor excessivo, além de lentidão mental.

'Eu tinha exatamente os mesmos sintomas da menopausa: calorões. Tipo, nua, suando, meu marido de moletom no ar condicionado no máximo. Era nítida a diferença. Visão turva, a mente já não funcionava com a mesma rapidez que antes', disse a modelo, no evento “Body & Mind”, da revista Harper’s Bazaar.

A descrição dos sintomas semelhantes gerou uma preocupação sobre como diferenciar o diagnóstico. Para tirar a dúvida é fundamental entender melhor sobre a doença e os sinais.

Esclerose múltipla

A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória e autoimune que acomete o sistema nervoso central, 'provocando surtos de desmielinização — processo no qual a bainha de mielina que reveste os neurônios é danificada', explica o médico neurocirurgião mineiro, membro da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, Felipe Mendes.

Segundo o médico, os sintomas clínicos variam conforme a topografia das lesões, podendo incluir:

  • Neurite óptica, com perda visual unilateral dolorosa;
  • Parestesias (formigamentos e dormência);
  • Fraqueza muscular em membros;
  • Ataxia e desequilíbrio;
  • Fadiga intensa desproporcional ao esforço;
  • Espasticidade;
  • Alterações esfincterianas (urinárias e intestinais);
  • Comprometimento cognitivo leve a moderado, com dificuldades de atenção, memória e processamento de informações.

A esclerose múltipla acomete predominantemente mulheres, com uma razão aproximada de 2 a 3 mulheres para cada homem. A faixa etária mais comum de início dos sintomas está entre os 20 e 40 anos, período de maior atividade produtiva e social. A prevalência é maior em populações de origem europeia e em regiões de clima temperado.

Sintomas podem ser confundidos ou semelhantes a outros distúrbios ou doenças?

De acordo com neurocirurgião, vários sintomas da esclerose múltipla são inespecíficos e podem se sobrepor a outras doenças neurológicas ou sistêmicas.

'A neurite óptica, por exemplo, pode lembrar causas infecciosas ou vasculares de perda visual. Parestesias e fadiga podem ser confundidas com neuropatias periféricas, fibromialgia ou até transtornos ansiosos e depressivos. Alterações motoras e de marcha podem simular quadros como esclerose lateral amiotrófica (ELA), doenças reumatológicas como lúpus, síndromes carenciais (como deficiência de B12) ou até lesões expansivas intracraniana', explicou Mendes à Itatiaia.

Com os sintomas e sinais inespecíficos, a diferenciação clínica pode ser difícil, especialmente nas fases iniciais ou em apresentações atípicas. Por isso, o médico destaca que a avaliação por um neurologista é fundamental.

'A ressonância magnética é o principal exame de imagem para detectar lesões desmielinizantes características em cérebro e medula. A análise do líquor, com pesquisa de bandas oligoclonais, pode reforçar o diagnóstico. Testes neurofisiológicos também auxiliam em casos selecionados. O diagnóstico é clínico-radiológico, baseado nos critérios de McDonald, e depende da demonstração de disseminação no tempo e no espaço das lesões', explicou.

Esclerose múltipla x Menopausa

'Os sintomas relatados pela modelo Carol Ribeiro, como calorões, visão turva e uma certa lentidão mental, são bastante comuns durante a transição menopausal e podem, sim, gerar dúvidas nas mulheres que estão vivenciando esse período', afirma a médica pós-graduada em endocrinologia e especialista em saúde da mulher e menopausa, Eliana Teixeira.

É importante destacar que cada mulher vivencia a menopausa de forma única. Nem todas apresentam os mesmos sintomas ou com a mesma intensidade. Por isso, a avaliação individualizada, é essencial para orientar a conduta terapêutica mais adequada.

'Qualquer mulher com idade superior aos 35 anos notar sintomas diferentes do habitual, é fundamental procurar ajuda médica especializada para entender o que está ocorrendo e possíveis diagnósticos em fases iniciais', recomenda Eliane.

'É crescente o número de mulheres que vem apresentando a menopausa numa idade inferior aos 45 anos. E também porque as oscilações hormonais que ocorrem no climatério podem ocorrer até 8 anos antes da menopausa', acrescenta.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde