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Dia Mundial do Autismo: especialista explica sinais e tratamento

Psiquiatra infanto-juvenil destaca importância do diagnóstico ainda na infância

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Projeto de lei prevê teste de autismo obrigatório em crianças com 2 anos | CNN Brasil
Sinais de autismo aparecem antes mesmo da criança completar 12 meses • CNN Brasil

O Dia Mundial da Conscientização do Autismo é celebrado em 2 de abril. A psiquiatra infantojuvenil especialista em autismo Jaqueline Bifano falou sobre o tema, seus sinais, tratamento e inclusão, em participação no programa Acir Antão desta quinta-feira (2).

A profissional começa explicando o que é o transtorno do espectro autista (TEA) e o que significa a palavra “espectro” nesse contexto. “O autismo não é considerado uma doença, ele é um transtorno do neurodesenvolvimento. O cérebro funciona de uma forma diferente e isso afeta a maneira como a pessoa interage, comunica e percebe o mundo. É chamado de espectro porque as características podem se manifestar de várias formas, desde níveis mais sutis até formas mais graves e evidentes. Algumas pessoas podem ter muita dificuldade de comunicação, chegando a não falar, enquanto outras comunicam de um jeito diferente ou evitam o contato visual.”

Os sinais de autismo se apresentam precocemente, antes mesmo da criança completar um ano de idade. “Aos 12 meses, a criança já deve fazer contato visual. A criança autista muitas vezes não olha quando é chamada pelo nome, não sorri espontaneamente e não aponta para o que deseja. Aos 18 meses, ela já deveria estar balbuciando e até falando algumas palavrinhas", aponta a especialista.

Antes mesmo do diagnóstico, é possível tratar algumas dessas características. Segundo a psiquiatra, é importante intervir o quanto antes, devido à capacidade de aprendizado e adaptação na infância. “Se há atraso na fala, encaminhamos para a fonoaudióloga; se há seletividade alimentar, atrasos motores ou hipersensibilidade auditiva, encaminhamos para terapia ocupacional. Cada criança autista é única e precisa ser avaliada individualmente”, afirma a médica.

Outra característica presente em crianças autistas é o hiperfoco. “Elas se interessam profundamente por um assunto, como elétrica ou dinossauros, e passam a entender tudo sobre aquilo, às vezes melhor do que qualquer adulto”.

A psiquiatra reforça que existe tratamento médico para autismo no Sistema Único de Saúde (SUS) e reflete sobre o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. “Conscientizar não é só informar, é preciso agir. Precisamos transformar a maneira como a sociedade acolhe e inclui essas pessoas, adaptando ambientes como as escolas para que a criança consiga socializar e aprender de forma saudável”.

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.