Dia Mundial da Esclerose Múltipla: médica fala sobre desafios do diagnóstico
Sintomas da doença autoimune e degenerativa podem ser confundidos com outras condições

O Dia Mundial da Esclerose Múltipla é celebrado neste sábado (30). No Brasil, há cerca de 40 mil pessoas com a doença, segundo dados da Biblioteca Virtual em Saúde.
A neuroimunologista e professora da Faculdade Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), Dra. Juliana Santiago destaca que o diagnóstico da doença pode ser desafiador.
"O diagnóstico da esclerose múltipla é feito por meio da avaliação clínica, do exame neurológico, da ressonância magnética e, em muitos casos, da análise do líquor (líquido cefalorraquidiano). Um dos grandes desafios [durante o diagnóstico] é que os sintomas iniciais podem ser intermitentes, variados e, às vezes, confundidos com outras condições neurológicas", afirma.
Entre os sinais mais comuns estão visão embaçada com dor à movimentação ocular, dormência, formigamento nos membros, fraqueza muscular, desequilíbrio, tontura, incoordenação e alterações esfincterianas, como retenção ou incontinência urinária e fecal.
Além disso, a causa da doença ainda não é totalmente conhecida. "Entre os fatores de risco mais bem estabelecidos estão a infecção prévia pelo vírus Epstein-Barr (vírus da família Herpesviridae), tabagismo, obesidade durante a infânciaeadolescência, baixos níveis de vitamina D e história familiar", lista a profissional.
A médica explica como é o tratamento: "Existem diversas medicações capazes de mudar o curso da doença, reduzir surtos, controlar a inflamação e impactar diretamente o futuro do paciente. Por isso, o diagnóstico precoce é tão importante, pois quanto antes o tratamento começa, maiores são as chances de manter a doença sob controle."
O que é esclerose múltipla
A esclerose múltipla (EM) é uma doença crônica, inflamatória, autoimune e neurodegenerativa. Caracteriza-se principalmente pela destruição da mielina, que protege os neurônios. As células de defesa, que são controladas pela ação do remédio, estimulam a inflamação e levam à disfunção neurológica progressiva.
A EM ocorre com mais frequência em adultos jovens, entre 20 e 50 anos, com pico de incidência por volta dos 30 anos, e é cerca de duas vezes mais comum em mulheres.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



