Belo Horizonte
Itatiaia

Dia da Dignidade Menstrual: cólica faz 6 em cada 10 alunas faltarem à escola

Pesquisa revela que 57,7% das estudantes brasileiras deixam de ir à escola mensalmente por causa do sintoma

Por
Principal sintoma da endometriose é a cólica severa
Cólica forte é um dos principais sintomas de endometriose • Reprodução | Pexels

Cerca de quatro em cada dez alunas brasileiras dos ensinos fundamental e médio faltam às aulas mensalmente por dores menstruais, segundo pesquisa do Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.info. Além disso, seis em cada dez estudantes relatam ter cólicas fortes ou moderadas que atrapalham a rotina escolar.

O levantamento foi feito em comemoração ao Dia Internacional da Dignidade Menstrual, celebrado nesta quinta-feira (28). A pesquisa foi realizada em fevereiro deste ano e contou com a participação de 2.551 estudantes das redes pública e privada de ensino de todas as regiões do Brasil.

A cólica é o principal sintoma que impede as alunas de irem à aula, com 57,7% das entrevistadas relatando o problema. Os outros sintomas são:

  • Cansaço e dores no corpo (30,1%);
  • Dores de cabeça (28%);
  • Dor de barriga (20,1%)
  • Vergonha e medo de vazamento (19,3%)
  • Falta de banheiro ou produtos de higiene (8,2%).

Cólica forte pode ser sinal de endometriose

A endometriose é uma doença inflamatória crônica, comum entre mulheres em idade fértil, que causa dores intensas, cólicas menstruais fortes e dificuldade para engravidar. A condição costuma ser subdiagnosticada porque, muitas vezes, a cólica menstrual forte, é normalizada.

A ginecologista Roberta Brando aponta que a maioria das pacientes demora de sete a dez anos para receber o diagnóstico de endometriose. "A dor da paciente que tem endometriose, a cólica, ela é desvalorizada por grande parte dos profissionais, inclusive os médicos ginecologistas. A gente tem a cólica que é fisiológica, que é normal, que não atrapalha a qualidade de vida. E tem aquela paciente que todo ciclo menstrual tem que ficar tomando remédio, até fora do ciclo, que é uma cólica que atrapalha ela de ir para o trabalho, para a escola. Esta cólica deve ser investigada”, afirma a médica.

O tratamento, na maioria das vezes, é clínico e não necessita de cirurgia. “A cirurgia é para pacientes que não responderam ao tratamento clínico. O tratamento pode ser feito com DIU Mirena ou uso oral de progestagênicos. E claro, atividade física e nutrição são remédios; precisamos de alimentação menos inflamatória para que a doença não evolua”, diz a Dra. Roberta Brando.

Ao identificar esses sintomas, a médica recomenda buscar tratamento com profissional adequado. “Procure um profissional que vai te escutar e solicitar exames como a ressonância nuclear magnética da pelve ou a ultrassonografia endovaginal com preparo intestinal. Se o médico não quiser pedir o exame, troca de profissional”, aconselha a profissional.

Por

Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.