Belo Horizonte
Itatiaia

Casos graves de gripe aumentam em Minas e acendem alerta sobre a saúde respiratória infantil

Defesa Civil alerta para alta de Síndrome Respiratória Aguda Grave; especialistas reforçam importância da vacinação e cuidados com as crianças

Por
Períodos de frio podem ocasionar no aumento de problemas respiratórios para os pequenos
Períodos de frio podem ocasionar no aumento de problemas respiratórios para os pequenos • Reprodução/Pixabay

A Defesa Civil de Belo Horizonte emitiu uma mensagem de alerta orientando toda a população — a partir de 6 meses de idade — a se vacinar contra a gripe. A recomendação, divulgada no último sábado (17), vem em um momento crítico para a saúde pública na capital, que decretou situação de emergência respiratória no dia 30 de abril, devido ao aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

“Belo Horizonte em emergência respiratória! Vacina contra gripe disponível para todos acima de 6 meses. Vá à unidade de saúde!”, dizia o comunicado enviado por mensagem de texto aos celulares cadastrados.

De acordo com a pneumologista pediátrica Laís Nicoliello, diretora científica da Sociedade Mineira de Pediatria, estamos no período de sazonalidade das doenças respiratórias, quando há maior circulação dos vírus causadores de gripes e resfriados. “Esse ano em especial temos visto um aumento de casos de vírus sincicial respiratório bem como influenza e as crianças, principalmente aquelas menores de 1 ano de idade, representam um grupo de risco”, afirma.

Para os pais, é essencial saber identificar os sinais de alerta. “Uma criança que frequenta escola pode ter em torno de 8 a 10 resfriados por ano. Então é comum elas apresentarem quadro de febre. Entretanto, se apresentarem sinais de alarme como febre que se prolonga por mais de 3 dias ou febre alta que não cede com a medicação, uma febre alta persistente”, explica a médica. Outros sinais graves incluem “desconforto para respirar, quando a gente tem a barriguinha que fica subindo e descendo, quando a gente tem uma retração aqui perto do pescoço, a criança fica com dificuldade para respirar, falta de ar, para de fazer xixi, apresenta manchas no corpo ou apresenta crise convulsiva”, completa. Nestes casos, a orientação é buscar atendimento médico imediatamente.

A médica reforça que “os extremos de idade, crianças pequenas e idosos, representam um grupo de risco, tanto para as doenças respiratórias, quanto para as suas formas mais graves”. Crianças menores de 5 anos, especialmente as com menos de 1 ano, estão entre as mais vulneráveis.

Vacinação

Além do atendimento especializado para síndromes gripais, os centros de saúde de Belo Horizonte disponibilizam a vacina contra a gripe para toda a população. O objetivo da Secretaria Municipal de Saúde é imunizar cerca de 90% dos habitantes da capital. Até agora, os idosos são o grupo que mais tem buscado a imunização.

Laís reforça: “A prevenção é o melhor remédio. É importante a orientação quanto à lavagem correta das mãos. Evitar aglomerações, shopping, ônibus, shows, né? Tudo que é aglomerado de pessoas não é interessante, porque isso facilita a propagação dos vírus respiratórios e lembrar a importância da necessidade de manter o cartão vacinal atualizado”.

Ela também alerta sobre a queda nas coberturas vacinais no Brasil nos últimos anos. “Isso faz com que a gente tenha maior circulação desses vírus e promovendo uma maior circulação deles e adoecimento da população.” Atitudes simples, como boa higiene das mãos, atividades ao ar livre e o uso de máscaras por quem está gripado, também são medidas eficazes.

Quando retornar à escola?

Sobre o retorno à escola, a médica recomenda cautela. “Crianças que apresentam sintomas gripais não devem voltar à escola, principalmente para não transmitir para os demais colegas”. A recomendação é de que o retorno aconteça apenas após o paciente estar afebril e e com ao menos três dias desde o início dos sintomas, sempre com avaliação médica.

Circulação viral e aumento de casos graves

O infectologista Adelino Melo Freire, presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, confirma o aumento no número de casos em 2025. “O que nós temos visto é um número maior de pessoas adoecendo, em função da maior circulação viral. Com isso o número de casos graves também tende a ser maior.”

Para ele, a vacinação é uma aliada fundamental: “Porque a vacina reduz o risco de adoecer com influenza e principalmente porque a vacina reduz o risco de agravamento da doença.” E completa: “A relação é direta: quanto maior o número de pessoas sem imunização, maior o número de pessoas que vão adoecer pelo vírus e, consequentemente, maior o número com casos graves.”

Além da vacinação, ele destaca medidas preventivas indispensáveis: “Higienizar as mãos, usar máscaras em situações de maior risco de transmissão, buscar atendimento na presença de sintomas e evitar circular enquanto estiver doente, para não contribuir para a transmissão do vírus.”

Por

Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.

Casos graves de gripe aumentam em Minas e acendem alerta sobre a saúde respiratória infantil | Rádio Itatiaia