Após caso de raiva em BH, infectologista alerta para riscos da doença
Médico explica quais são os sintomas e tratamento para doença que, na maioria das vezes, é fatal

Um morcego infectado pelo vírus da raiva foi encontrado morto no bairro Diamante, na região do Barreiro, em Belo Horizonte. Este é o primeiro caso da doença registrado na capital mineira em 2026.
O médico infectologista Guenael Freire explica que a raiva é uma zoonose e pode ser transmitida a humanos. A transmissão ocorre "principalmente por meio da mordida, arranhadura ou contato da saliva de um animal infectado com mucosas ou feridas na pele".
Ele detalha que o vírus atinge o sistema nervoso central e provoca uma inflamação que, na maioria dos casos, é fatal. Os sintomas começam de forma “inespecífica” e evoluem.
“Os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos, como febre, mal-estar, dor no corpo e cansaço, o que pode dificultar o diagnóstico precoce. Com a progressão da doença, surgem manifestações neurológicas importantes, como agitação, alterações de comportamento, dificuldade para engolir, espasmos musculares, hidrofobia, convulsões e, nos estágios finais, coma e morte”, afirma.
Para evitar a doença, é necessário “evitar qualquer contato direto com animais desconhecidos ou silvestres, especialmente morcegos, mesmo quando parecem inofensivos ou estão caídos no chão”. Além disso, os animais de estimação, como cães e gatos, devem ter a vacinação em dia, porque podem atuar como vetores da raiva.
A vacina pode ser tomada antes ou depois do contato com o vírus. “A vacinação pré-exposição é indicada para pessoas com maior risco ocupacional, como veterinários e profissionais que lidam com animais. Já a vacinação pós-exposição é a mais comum e deve ser iniciada rapidamente após qualquer contato suspeito", destaca o infectologista.
O que fazer ao encontrar morcegos possivelmente infectados
A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) recolhe os morcegos possivelmente infectados com o vírus da raiva. O cidadão deve acionar o serviço se encontrar o animal caído, morto ou vivo, ou voando durante o dia.
A solicitação pode ser feita por telefone nos números disponíveis neste link. O serviço é realizado pela PBH de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Após as 17h, de segunda a sexta-feira, e também aos finais de semana e feriados, a retirada é feita pela Guarda Civil Municipal, pelo telefone 153.
Ao encontrar um morcego caído, é importante isolar o animal sem tocá-lo. Cubra-o com uma caixa ou balde e não deixe que animais e crianças tenham contato com o vetor. Os morcegos recolhidos são encaminhados ao Laboratório de Zoonoses para verificar se há infecção por raiva.
Vacinação em Belo Horizonte
A vacina antirrábica está disponível nos cinco Centros de Esterilização de Cães e Gatos e no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Os horários de funcionamento e endereços dos locais estão disponíveis neste link.
Devem receber a vacina cães e gatos a partir de três meses de idade, inclusive fêmeas gestantes. Os cães devem ser levados aos locais de vacinação com guia ou coleira e conduzidos por adultos. Já os gatos devem ser transportados em caixas específicas.
Após a vacinação, a orientação é que os animais evitem esforços físicos e permaneçam em casa, preferencialmente em local sombreado e fresco, com água e alimentação disponíveis.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



