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Produtos com “cara de IA” começam a cansar consumidores no mundo

Imperfeição humana e processos analógicos voltam a ganhar valor cultural

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Consumidores estão cansados de produtos com cara de IA
Produtos com “cara de IA” começam a cansar consumidores no mundo • Ia

Uma cafeteria em Copenhague decidiu avisar no cardápio que seus textos não foram escritos por inteligência artificial. Em Nova York, marcas pequenas começaram a divulgar campanhas fotografadas sem edição exagerada. Já em Tóquio, lojas de objetos artesanais passaram a destacar detalhes considerados “imperfeitos” como parte do valor do produto. O que antes poderia parecer amador agora começa a funcionar como símbolo de autenticidade.

Em 2026, parte do mercado internacional começou a enfrentar um efeito colateral inesperado do excesso de conteúdo gerado por IA: o cansaço visual e emocional. Textos excessivamente polidos, imagens perfeitas demais e campanhas com aparência sintética passaram a provocar desconfiança em consumidores interessados em experiências mais humanas.

A estética perfeita começou a parecer artificial demais

A mudança aparece em setores diferentes:

  • moda;
  • gastronomia;
  • publicidade;
  • design;
  • fotografia;
  • arte;
  • decoração;
  • conteúdo digital.

Em vez de buscar perfeição absoluta, muitas marcas passaram a valorizar processos analógicos, produção manual e sinais visíveis de autoria humana. Pequenos defeitos de impressão, fotos menos tratadas e vídeos com estética mais crua começaram a ganhar espaço justamente por parecerem reais em meio ao excesso de conteúdo artificial.

A rejeição ao chamado “AI slop” também se espalhou pelas redes sociais. O termo passou a ser usado para definir conteúdos produzidos em massa por inteligência artificial sem identidade clara, repetitivos e visualmente genéricos. Em plataformas como TikTok e Reddit, usuários começaram a reclamar da sensação de que “tudo está ficando igual”.

O erro humano voltou a funcionar como assinatura cultural

Isso ajuda a explicar por que produtos ligados ao artesanal voltaram a chamar atenção. Cerâmicas feitas à mão, roupas com acabamento irregular, móveis assinados por pequenos estúdios e fotografias sem edição extrema passaram a carregar uma espécie de valor emocional adicional. O erro visível virou prova de existência humana.

Na moda, o impacto já aparece nas campanhas internacionais. Algumas marcas começaram a abandonar imagens excessivamente limpas para apostar em iluminação natural, textura de pele real e aparência menos publicitária. O objetivo não é parecer antigo, mas transmitir presença humana em um ambiente cada vez mais automatizado.

O fenômeno também alcançou o universo da escrita. Newsletters pessoais, revistas independentes e textos com voz autoral voltaram a ganhar relevância justamente porque parte do público começou a perceber diferenças entre linguagem humana e estruturas excessivamente padronizadas.

Outro detalhe importante é que a rejeição não acontece necessariamente contra a tecnologia em si. O movimento parece muito mais ligado ao excesso e à repetição. Consumidores continuam utilizando inteligência artificial no cotidiano, mas passaram a demonstrar maior interesse por produtos, ambientes e experiências que ainda preservem sensação de individualidade.

A estética perfeitamente calculada que dominou parte da internet nos últimos anos começa lentamente a perder força para algo mais irregular, menos previsível e emocionalmente reconhecível. Em vez de esconder imperfeições, muitos criadores passaram a tratá-las como assinatura visual.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.