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Novo tratamento para hidradenite pode permitir aplicação uma vez por mês

Medicamento experimental apresentou resultados promissores em estudo de fase 2 para adultos com hidradenite supurativa moderada a grave, mas ainda precisa passar por novas etapas de pesquisa antes de chegar ao uso clínico

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Novo medicamento experimental para hidradenite supurativa apresentou resultados promissores em estudo de fase 2.
Novo medicamento experimental para hidradenite supurativa apresentou resultados promissores em estudo de fase 2. • Magnific

Uma nova opção de tratamento para a hidradenite supurativa está chamando a atenção de pesquisadores por combinar resultados promissores com uma possibilidade que pode facilitar a rotina de alguns pacientes: a aplicação em intervalos de apenas uma vez por mês.

O medicamento experimental é o abdakibart, desenvolvido pela farmacêutica Avalo Therapeutics. A substância foi avaliada em um estudo de fase 2 com 253 adultos que apresentavam hidradenite supurativa moderada a grave. Os participantes receberam o medicamento a cada quatro semanas, a cada duas semanas ou placebo, durante 16 semanas.

Segundo os resultados divulgados pela empresa e repercutidos pela NewBeauty, cerca de 43% dos participantes que receberam abdakibart em qualquer um dos dois esquemas de aplicação tiveram redução de pelo menos 75% na quantidade combinada de nódulos inflamados e abscessos. No grupo placebo, o índice ficou em aproximadamente 26%.

Apesar dos resultados, o tratamento ainda é experimental e não deve ser confundido com uma terapia disponível para prescrição.

O que é a hidradenite supurativa

A hidradenite supurativa é uma doença inflamatória crônica da pele que provoca nódulos dolorosos, abscessos e, em alguns casos, túneis sob a pele. As lesões aparecem com maior frequência em regiões de dobras, como axilas, virilha e abaixo das mamas.

A doença pode afetar a qualidade de vida, especialmente quando as lesões provocam dor, secreção, cicatrizes ou recorrência. Por isso, o diagnóstico e o acompanhamento dermatológico são importantes para definir o tratamento mais adequado.

A condição não deve ser confundida com uma simples infecção ou com falta de higiene. Trata-se de uma doença inflamatória complexa, que pode exigir diferentes estratégias terapêuticas de acordo com sua gravidade e evolução.

Atualmente, existem medicamentos biológicos aprovados para determinados pacientes com hidradenite supurativa moderada a grave. Entre eles estão adalimumabe, secuquinumabe e bimequizumabe nos Estados Unidos, além de outras alternativas que podem ser utilizadas de acordo com avaliação médica.

Como funciona o novo medicamento

O abdakibart pertence a uma classe de medicamentos conhecida como anticorpos monoclonais. Seu mecanismo é diferente daquele de alguns dos principais biológicos já utilizados contra a hidradenite.

A substância bloqueia a interleucina-1 beta, ou IL-1β, uma molécula envolvida nos processos inflamatórios do organismo. A ideia é interromper uma das vias que podem contribuir para a inflamação característica da doença.

Esse mecanismo é especialmente relevante porque a hidradenite supurativa não apresenta exatamente a mesma resposta em todos os pacientes. Uma pessoa pode responder bem a determinado tratamento, enquanto outra pode apresentar resposta insuficiente ou perder o benefício ao longo do tempo.

Por isso, novas alternativas terapêuticas podem ampliar as possibilidades para pacientes que não obtiveram resultados satisfatórios com as opções disponíveis.

O que o estudo mostrou

No estudo de fase 2, aproximadamente 43% dos participantes tratados com abdakibart alcançaram uma redução de pelo menos 75% nas lesões inflamatórias, independentemente de terem recebido a aplicação a cada duas ou quatro semanas. O resultado foi superior ao observado entre aqueles que receberam placebo.

Também foram observadas melhorias na quantidade de túneis que apresentavam drenagem e na gravidade geral da doença. A avaliação relacionada à dor apresentou resultados favoráveis ao medicamento, mas não atingiu significância estatística no estudo.

Outro ponto observado pelos pesquisadores foi a segurança. Durante as 16 semanas de acompanhamento, os efeitos adversos ocorreram em proporções semelhantes entre os grupos de tratamento e placebo. Dor de cabeça e náusea estiveram entre os eventos mais comuns, e não foram identificados novos sinais de segurança inesperados no período analisado.

É importante, porém, interpretar esses números dentro do contexto. Um estudo de fase 2 ainda não é suficiente para determinar se um medicamento será aprovado ou se terá o mesmo desempenho quando utilizado por uma população muito maior durante períodos mais longos.

Por que a aplicação mensal pode fazer diferença

Para quem precisa conviver com uma doença crônica, a frequência do tratamento pode influenciar a rotina. Reduzir o número de aplicações pode representar maior praticidade, principalmente para pessoas que têm dificuldade em manter esquemas terapêuticos mais frequentes.

A aplicação mensal, no entanto, não é necessariamente o principal diferencial do novo medicamento. Já existem tratamentos biológicos para hidradenite que utilizam esquemas de manutenção a cada quatro semanas em determinados pacientes.

No caso do abdakibart, o interesse está na combinação entre esse potencial regime de aplicação e um mecanismo de ação diferente dos tratamentos que atuam sobre outras moléculas inflamatórias.

A possibilidade de uma aplicação menos frequente também precisa ser avaliada junto com eficácia, segurança, duração do benefício, custo e resposta individual.

Quando o tratamento poderá chegar aos pacientes

O abdakibart ainda não está disponível como tratamento aprovado para hidradenite supurativa. Após os resultados da fase 2, a Avalo Therapeutics anunciou a intenção de avançar o medicamento para estudos de fase 3, que devem envolver um número maior de participantes e fornecer dados adicionais sobre eficácia e segurança.

Essa etapa é fundamental antes de qualquer eventual pedido de aprovação às autoridades regulatórias.

Portanto, embora os resultados tenham despertado expectativa, ainda não é possível afirmar quando, ou mesmo se, o medicamento estará disponível para pacientes na prática clínica.

Para quem já tem diagnóstico de hidradenite supurativa, a recomendação continua sendo conversar com um dermatologista sobre as opções existentes. A escolha do tratamento depende da gravidade da doença, das características das lesões, de tratamentos anteriores e das condições individuais de cada paciente.

O avanço do abdakibart representa, principalmente, mais uma frente de pesquisa em uma doença que ainda apresenta desafios importantes. Se os resultados forem confirmados nas próximas fases, um tratamento com mecanismo diferente e possibilidade de aplicação mensal poderá ampliar o arsenal terapêutico contra a hidradenite supurativa.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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