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Geração Z e Copa do Mundo: o Brasil ainda é o país do futebol?

Pesquisa revela como os jovens se conectam com a seleção e o torneio em 2026

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Geração Z e a copa do mundo
Geração Z e Copa do Mundo: o Brasil ainda é o país do futebol? • Arquivo Pessoal

Uma geração que não viu o Brasil campeão

A relação da Geração Z com a Copa do Mundo começa em um ponto diferente das gerações anteriores. Quem hoje tem entre 15 e 28 anos cresceu em um Brasil que já não vivia o auge das conquistas. O último título mundial foi em 2002, antes do nascimento de grande parte desse grupo. Isso significa que essa geração não tem memória direta de um Brasil campeão do mundo. Ela herdou essa narrativa por meio de relatos, vídeos, narrações memoráveis e reconstruções culturais.

O Brasil que moldou o imaginário do futebol

Quando essa geração nasceu, o país ainda respirava o peso simbólico de ser referência global no futebol. Era o tempo de nomes como Ronaldo Nazário, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Adriano Imperador. Esses jogadores não apenas venciam, mas representavam uma forma de jogar associada à criatividade, improviso e protagonismo mundial. O Brasil era mais do que competitivo, era identidade.

A mudança de cenário e o impacto no comportamento

Com o tempo, essa referência começou a se diluir. A Geração Z cresceu acompanhando eliminações marcantes, ciclos irregulares e uma perda gradual de protagonismo. Paralelamente, o consumo de futebol mudou. Competições como a Premier League e a UEFA Champions League ganharam espaço, ampliando o repertório do torcedor e deslocando parte da atenção para fora das seleções nacionais.

Engajamento alto, mas com novas formas de acompanhar

Apesar dessa transformação, o interesse pela Copa do Mundo continua forte. O estudo do InstitutoZ mostra que 75 por cento dos jovens mantêm alto nível de engajamento com o torneio. Esse dado indica que a competição ainda é relevante, mas o comportamento mudou. Parte dos jovens acompanha apenas os jogos do Brasil, enquanto outra parcela consome o evento de forma mais ampla, sem vínculo exclusivo com a seleção.

Preferência por seleções estrangeiras revela novo padrão

Um dado chama atenção. Cerca de 19 por cento dos brasileiros dizem preferir seleções estrangeiras em determinados momentos. Isso não representa abandono da seleção brasileira, mas sim um consumo mais globalizado. A Geração Z acompanha atletas, estilos de jogo e narrativas que ultrapassam fronteiras. O pertencimento não é mais exclusivamente nacional.

Entre tradição e crítica, a relação se torna mais complexa

A percepção da seleção brasileira reflete essa mudança. Para 59 por cento dos jovens, a camisa ainda carrega tradição e história. Ao mesmo tempo, surgem críticas. Política, polêmicas e falta de identificação aparecem como fatores mencionados por parte dos entrevistados. Essa ambivalência é típica da Geração Z, que combina respeito ao passado com análise crítica do presente.

O Brasil ainda é o país do futebol, mas de outra forma

Mesmo com questionamentos, 69 por cento dos jovens ainda consideram o Brasil o país do futebol. Esse dado mostra que a identidade não desapareceu, mas está em transformação. O conceito deixa de depender apenas de títulos e passa a ser sustentado também por memória cultural, influência global e conexão emocional.

Emoções divididas mostram um novo tipo de torcida

Existe um momento em que o coração aprende a não obedecer tão rápido.

O futebol, que antes era impulso, grito e certeza, agora pede silêncio por alguns segundos a mais. A esperança ainda está ali, firme como sempre esteve, mas já não caminha sozinha. Ao lado dela seguem a dúvida, o cansaço e até uma certa distância que não existia antes.

A memória continua sendo um abrigo. Ela guarda os dias em que tudo parecia mais simples, quando vestir a camisa era suficiente para acreditar. Mas o tempo ensina. E quem aprende começa a olhar com outros olhos.

Torcer deixou de ser automático. Virou escolha.

E, quando vira escolha, carrega mais verdade. Mesmo que venha acompanhada de contradições.

A Copa de 2026 como ponto de virada

Toda geração recebe um chamado. Nem sempre ela reconhece na hora, mas sente que algo está mudando.

A Copa de 2026 chega assim.

Não como repetição de um ritual conhecido, mas como um convite. Um convite para que essa nova geração descubra o que o futebol ainda pode significar dentro dela.

Porque já não basta assistir.

É preciso sentir.

A Geração Z não se contenta com o jogo pelo jogo. Ela procura história, conexão, identidade. Procura um motivo que justifique permanecer. O desempenho da seleção importa, claro. Sempre importará. Mas não sustenta mais sozinho aquilo que antes era inquestionável.

O Brasil ainda ocupa um lugar especial no futebol do mundo. Isso não se perde de um dia para o outro.

Mas todo lugar precisa ser cuidado e principalmente preservado.

E talvez seja exatamente agora que essa história peça renovação. Não para apagar o que foi, mas para lembrar que até aquilo que parece eterno precisa, de tempos em tempos, reaprender a existir. Hasta !!

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.